Racionalidade e vulnerabilidade: elementos para a redefinição da sujeição moral

Sônia T. Felipe

Resumo



A filosofia moral tradicional estabelece
o critério da posse da razão como exigência
para a definição da pertinência ou não de um
sujeito à comunidade moral humana, e, pois, a
ser considerado digno de respeito ético e justiça.
Contrariando a tradição moral, Kenneth E. Goodpaster,
Tom Regan e Paul W. Taylor redefinem a
constituição da comunidade moral e o alcance da
justiça, estabelecendo a perspectiva dos que são
afetados pelas ações morais, não a dos sujeitos
morais agentes, como a referência para se tomar
decisões éticas relativas à justiça. Enquanto a
filosofia moral tradicional considera apenas a
categoria dos sujeitos morais agentes, estes
autores desdobram a sujeição moral em duas
possibilidades: a da agência e a da paciência
moral. Com este desdobramento, mantêm-se a
estatura dos agentes racionais como responsáveis
pela moralidade, enquanto a vulnerabilidade às
ações e decisões dos sujeitos morais agentes é
levada em conta, permitindo a inclusão na comunidade
moral e da justiça de interesses nãoracionais,
de animais e ecossistemas nãoanimados,
por exemplo.

PALAVRAS-CHAVE – Agentes morais. Pacientes
morais. Agência moral. Paciência moral. Responsabilidade.
Vulnerabilidade. Kenneth E. Goodpaster.
Tom Regan. Paul W. Taylor.

ABSTRACT

Traditional moral philosophy establishes
reason as the only criterion for someone being
morally considerable or recognized as member of the
moral community. In contrast, Kenneth E. Goodpaster,
Tom Regan and Paul W. Taylor do not agree
with the moral tradition. On their perspective, the
standpoint not of the agent but of the “patient”
should be the central question of ethics in defining
to whom principles of morality apply. While traditional
philosophy operates only with the category of
moral agents, these authors operates with both
categories, moral agent and moral patient. They
maintain that responsibility is the most significant
question in defining the framework of human morality,
a necessary condition to someone being considered
a moral agent, possible only for rational beings,
while vulnerability is the condition of being subjected
to moral decisions and actions, independently
of being rational or non rational. Being subjected to
human morality is not a prerogative of rational
beings. There are non rational interests common to
humans, animals and plants, the inherent worth of
life, for example, that are continuously subjected to
human decisions. So, those have to be considered by
ethics and justice. In order to be morally considerable
it is not necessary to be rational, it is sufficient
to be vulnerable to moral agency.

KEY WORDS – Moral agent. Moral patient. Moral
agency. Moral patience. Responsibility. Vulnerability.
Kenneth E. Goodpaster. Tom Regan. Paul W. Taylor.

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