Fenomenologia e Psicologia da Criança: Merleau-Ponty e Winnicott

Litiara Kohl Dors

Resumo


O artigo visa explorar alguns pontos de convergência entre as posições do fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty e o pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott em relação ao tema da intersubjetividade e da criança. Ao propor as bases para uma ontologia da “carne”, Merleau-Ponty procura mostrar que não há limites definidos entre interior ou exterior. Há um campo perceptivo de intersecção, isto é, uma zona de reversibilidade e permeabilidade. A Carne exprime, portanto, o meio formador do sujeito e do objeto. Ora, esse nível de experiência da Carne como um Ser indivisível parece bem ser o pano de fundo pelo qual Winnicott aborda o espaço transicional como uma zona intercambiável, sem fronteiras rígidas entre o eu e o não-eu. Nessa perspectiva winnicottiana, o início da vida deixa de ser uma relação dual entre mãe e bebê. Ambos interagem num só “espaço”, num só meio recíproco de relações carnais, desconstruindo, portanto, qualquer posição solipsista.

Palavras-chave


Merleau-Ponty; Fenomenologia; Winnicott; Psicanálise; Criança

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-4012.2016.1.22579

e-ISSN: 1983-4012


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