A escrita descentrada de Carolina Maria de Jesus

Luciana Paiva Coronel

Resumo


Inserida no contexto da globalização, a ficção brasileira contemporânea recebe e processa os influxos da cultura desta etapa mais recente do capitalismo, na qual disseminam-se imagens padronizadas vinculadas à dinâmica do consumo e na qual, dialeticamente, emergem afirmações particularistas em relação a espaço, etnia ou gênero, entre outras marcas identitárias de alteridade. Carolina Maria de Jesus destaca-se nos primórdios desse cenário como autora em todos esses aspectos excêntrica, mas igualmente como produtora de uma escrita que escapa a quaisquer essencialismos, trazendo a marca do hibridismo. O artigo pretende analisar o descentramento que lhe é peculiar como decorrente de um processo de criação conceituado por Raffaella Fernandez (2015) como “poética de resíduos”, que consiste em uma mescla de estilos literários desterritorializados, muitas vezes em atrito e sem síntese possível no interior de Quarto de despejo: diário de uma favelada.


Palavras-chave


Descentramento. Hibridismo. Poética de resíduos. Quarto de despejo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7726.2019.4.33167

e-ISSN: 1984-7726 | ISSN-L: 0101-3335


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