Experiências de médicos ao comunicarem o diagnóstico da deficiência de bebês aos pais

Valquíria Luisada, Geraldo A. Fiamenghi-Jr, Sueli G. de Carvalho, Elisângela A. Assis-Madeira, Silvana M. Blascovi-Assis

Resumo


Objetivo: O presente estudo teve como objetivo investigar os sentimentos e vivências de médicos ao transmitirem a notícia de uma deficiência aos pais, no nascimento do bebê, assim como o preparo/formação que receberam para atuarem neste momento.
Material e Métodos: O estudo teve abordagem qualitativa e exploratória, a partir da técnica de entrevista semiestruturada. A pesquisa foi realizada com 10 médicos, entre Obstetras e Neonatologistas na cidade de São Paulo/ SP. As entrevistas foram analisadas e seus resultados discutidos em três diferentes categorias: a Notícia, Sentimentos e Preparo Profissional.
Resultados: Os médicos relatam dificuldades ao comunicar os pais sobre a deficiência dos bebês e pensam em estratégias variadas, como falar ao casal; falar apenas para a mãe, falar imediatamente após o parto, esperar algum tempo; revelam tristeza e inexistência de preparo durante a formação em medicina.
Conclusão: Foram sinalizadas abordagens inadequadas e ineficazes, e o despreparo e dificuldades na comunicação da notícia, associados à falta de formação acadêmica para desempenhar esta tarefa. Conclui-se que os principais sentimentos vivenciados são a tristeza, a angústia e a solidariedade, com consequências físicas e emocionais para o profissional e, provavelmente, para a família dos pacientes.

 


Palavras-chave


diagnóstico; bebês com deficiência; emoções; relações médico-paciente.

Texto completo:

PDF

Referências


Fiamenghi-Jr GA, Messa AA. Pais, filhos e deficiência: estudos sobre as relações familiares. Psicol Ciênc Prof. 2007; 27(2):236-245. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932007000200006

Vash CL. Enfrentando a deficiência: a manifestação, a psicologia, a reabilitação. São Paulo: Pioneira; 1988.

Cunha MAFV, Blascovi-Assis SM, Fiamenghi-Jr GA. Impacto da notícia da síndrome de Down para os pais: histórias de vida. Ciênc. Saúde Coletiva. 2010; 15(2):444-451. http://dx.doi.org/10.1590/s1413-81232010000200021

Falkenbach AP, Drexsler G, Werler V. A relação mãe/criança com deficiência: sentimentos e experiências. Ciênc. Saúde Coletiva. 2008; 13:(2):2065-2073. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-

Fallowfield L, Jenkins V. Communicating sad, bad, and difficult news in medicine. Lancet. 2004; 19:363-312. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(03)15392-5

Hammond M, McLean E. What parents and carers think medical students should be learning about communication with children and families. Patient Educ Couns. 2009; 76:368-375. http://dx.doi.org/10.1016/j.pec.2009.07.020

Carmel S, Glick SM. Compassionate empathic physicians: personality traits and social organizational factors that enhance or inhibit this behavior pattern. Soc Sci Med. 1996; 43(8):1253-1261. http://dx.doi.org/10.1016/0277-9536(95)00445-9

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2000.

Baile WF, Buckman R, Lenzi R, Glober G, Beale EA, Kudelka AP. SPIKES: a six-step protocol for delivering bad news: application to the patient with cancer. Oncologist. 2000; 5:302-311. http://dx.doi.org/10.1634/theoncologist.5-4-302

Sunelaitis CR, Arruda DC, Marcom SS. A repercussão de um diagnóstico de síndrome de Down no cotidiano familiar: perspectiva da mãe. Acta Paul Enferm. 2007; 20(3):264-271. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002007000300004

Jurkovich GJ, Pierce B, Pananen L, Rivara FP. Giving bad news: the family perspective. J Trauma. 2000; 48(5):865-873. http://dx.doi.org/10.1097/00005373-200005000-00009

Golder WN. When you must give a baby’s parents terrible news. Med. Econ. 1996; 73(3):247.

Farrel MH, La Pean A, Ladouceur I. Content of communication by pediatric residents after newborn genetic screening. Pediatrics. 2005; 116:1492-1498. http://dx.doi.org/10.1542/peds.2004-2611

Perdicaris AME. E agora doutor?: velhos caminhos e novas fronteiras na comunicação médica. 2ª ed. rev. Barueri (SP): Minha Editora/Manole; 2012.

Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Comunicação de notícias difíceis: compartilhando desafios na atenção à saúde. Rio de Janeiro: INCA, 2010.

Ceccim RB. Equipe de saúde: a perspectiva entre-disciplinar na produção de atos terapêuticos. In: Pinheiro R, Mattos RA, organizadores. Cuidado: as fronteiras da integralidade. São Paulo: Hucitec/Abrasco; 2004.

Lino CA, Augusto KL, Oliveira RAS, Feitosa LB, Caprara A. Uso do protocolo SPIKES no ensino de habilidades em transmissão de más notícias. Rev Bras Educ Med. 2011; 35(1):52-57. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022011000100008

Perosa GB, Ranzani PM. Capacitação do médico para comunicar más notícias à criança. Rev Bras Educ Med. 2008; 32(4):468-473. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022008000400009

Pupo Filho RA. Síndrome de Down. E agora doutor? Rio de Janeiro: WVA; 1996.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1983-652X.2015.3.21769

 

e-ISSN: 1983-652X 

 

Este periódico é membro do COPE (Committee on Publication Ethics) e adere aos seus princípios. http://www.publicationethics.org

***


Exceto onde especificado diferentemente, a matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma licença Creative Commons BY-NC 4.0 Internacional

 ***

Políticas Editoriais das Revistas Científicas Brasileiras. Disponibilidade para depósito: Azul.   

 Copyright: © 2006-2019 EDIPUCRS