Ações afirmativas no Ensino Superior Privado

vivências de estudantes negras e brancas brasileiras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-8623.2025.1.41578

Palavras-chave:

Políticas de ações afirmativas, Racismo, Desigualdade social, Análise do discurso.

Resumo

O artigo busca analisar as vivências de universitárias negras e brancas quanto ao seu ingresso na educação superior, em uma instituição de ensino privada, por meio das ações afirmativas. Quanto ao método, foram adotados abordagem qualitativa, pesquisa descritiva, estudo de caso polar e análise do discurso. Participaram 22 estudantes, sendo 11 negras e 11 brancas. Os resultados mostram que muitas estudantes, sem as políticas afirmativas, como o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), não teriam chances de estudar – resultado não só das condições socioeconômicas das participantes, mas da interseccionalidade entre classe social, raça e gênero. As contribuições perpassam a importância da efetividade das ações afirmativas para o enfrentamento das desigualdades sociais e raciais de estudantes negras e brancas brasileiras.

 

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Biografia do Autor

Cláudia Aparecida Avelar Ferreira, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Pós-doutora em Geografia. Doutora em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), mestra em Administração pelo Centro Universitário UNA e graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Simone Costa Nunes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Doutora em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

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Publicado

2025-09-23

Como Citar

Avelar Ferreira, C. A., & Nunes, S. C. (2025). Ações afirmativas no Ensino Superior Privado: vivências de estudantes negras e brancas brasileiras . Psico, 56(1), e41578. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2025.1.41578