Negando ou Subestimando Problemas Ambientais: Barreiras Psicológicas ao Consumo Responsável

  • Fabio Iglesias Universidade de Brasília
  • Lucas Soares Caldas Universidade de Brasília
  • Luisa Alcântara Teixeira Rabelo Universidade de Brasília
Palavras-chave: Comportamento pró-ambiental, consumo responsável, barreiras psicológicas.

Resumo

Embora a busca de soluções para os problemas ambientais seja tipicamente associada à tecnologia e a intervenções de larga escala, mudanças de comportamento no nível individual contribuem diretamente para o consumo sustentável. Este trabalho investigou barreiras psicológicas que as pessoas apresentam para não se comportar pró-ambientalmente nas situações em que poderiam facilmente fazê-lo. Para alcançar este objetivo, uma medida criada com base em 12 dos 29 “dragões da inação” previstos no quadro teórico de Gifford (2011), foi traduzida, adaptada e respondida por 272 participantes. Análises fatoriais sugeriram que as barreiras psicológicas se organizam em dois tipos: (1) negação do problema; (2) prioridades conflitantes. A medida apresentou evidências de validade e fidedignidade. Discutem-se as aplicações desses resultados na promoção da sustentabilidade, que podem envolver ações cotidianas como a economia de energia doméstica, o uso de transporte coletivo e o descarte adequado de lixo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fabio Iglesias, Universidade de Brasília
Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações e Coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Universidade de Brasília
Lucas Soares Caldas, Universidade de Brasília
Mestrando com bolsa da CAPES no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da Universidade de Brasília
Luisa Alcântara Teixeira Rabelo, Universidade de Brasília
Psicóloga pela Universidade de Brasília

Referências

American Psychological Association (2010). Psychology and

global climate change: Addressing a multifaceted phenomenon

and set of challenges. Report of the American Psychological

Association Task Force on the Interface Between Psychology

and Global Climate Change. Obtido em http://www.apa.org/

science/about/publications/climate-change.aspx

Bamberg, S. & Möser, G. (2007). Twenty years after Hines,

Hungerford, and Tomera: A new meta-analysis of psychosocial

determinants of pro-environmental behaviour. Journal

of environmental psychology, 27(1), 14-25. doi:10.1016/j.

jenvp.2006.12.002

Bandura, A. (1999). Moral disengagement in the perpetration of

inhumanities. Personality and Social Psychology Review, 3(3),

-209. doi: 10.1207/s15327957pspr0303_3

Barros, H. C. L. & Pinheiro, J. Q. (2013). Dimensões psicológicas

do aquecimento global conforme a visão de adolescentes

brasileiros. Estudos de Psicologia, 18(2), 173-182.

Bawden, D. & Robinson, L. (2009). The dark side of information:

Overload, anxiety and other paradoxes and pathologies.

Journal of Information Science, 35, 180-191. doi: 10.1177/

Blair, I. & Smith, J. (2010). Tokenism. In J. Levine, & M. Hogg

(Eds.), Encyclopedia of group processes & intergroup relations

(pp. 925-928). Thousand Oaks, CA: Sage. doi: http://dx.doi.

org/10.4135/9781412972017.n287

Brehm, J. W. & Brehm, S. S. (1981). Psychological reactance:

A theory of freedom and control. San Diego, CA: Academic

Press.

Cialdini, R. B. (2011). The focus theory of normative conduct.

In P. A. M. Van Lange, A. W. Kruglanski, & E. T. Higgins

(Eds.), Handbook of theories of social psychology (Vol. 2;

pp. 295-312). Thousand Oaks, CA: Sage. doi: http://dx.doi.

org/10.4135/9781446249222

Clayton, S. & Brook, A. (2005). Can psychology help save the

world? A model for conservation psychology. Analyses of Social

Issues and Public Policy, 5(1), 87-102. doi: 10.1111/j.1530-

2005.00057.x

Cristo, F. (no prelo). Hábito e comportamento de viagem In P. W. G.

Taco, I.. L. Neto, L. Santos, & M. Takano (Orgs.). Comportamento

em transportes: Uma abordagem multidisciplinar. São Paulo:

Casa do Psicólogo.

Coelho, J. A. P. D. M., Gouveia, V. V., & Milfont, T. L. (2006).

Valores humanos como explicadores de atitudes ambientais

e intenção de comportamento pró-ambiental. Psicologia em

Estudo, 11(1), 199-207.

Dunlap, R. E. (2008). The New Environmental Paradigm Scale:

From marginality to worldwide use. Journal of Environmental

Education, 40(1), 3-18. doi: 10.3200/JOEE.40.1.3-18

Dunlap, R. E., Van Liere, K. D., Mertig, A. G., & Jones, R. E.

(2000). Measuring endorsement of the new ecological paradigm:

A revised NEP scale. Journal of Social Issues, 56(3), 425-442.

Felippe, M. L. & Kuhnen, A. (2012). O apego ao lugar no contexto

dos estudos pessoa-ambiente: Práticas de pesquisa. Estudos

de Psicologia (Campinas), 29(4), 609-617. doi: http://dx.doi.

org/10.1590/S0103-166X2012000400015

Fishbein, M. & Ajzen, I. (2010). Predicting and hanging behavior:

The reasoned action approach. New York: Psychology Press.

Fransson, N., & Gärling, T. (1999). Environmental concern:

Conceptual definitions, measurement methods, and research

findings. Journal of Environmental Psychology, 19, 369-382.

doi: http://dx.doi.org/10.1006/jevp.1999.0141

Gardner, G. T. & Stern, P. C. (2008). The short list: The most

effective actions U.S. households can take to curb climate

change. Environment, 50, 13-24. doi: 10.3200/ENVT.50.5.12-25

Gärling, T. & Steg, L. (Orgs.). (2007). Threats from car traffic to the

quality of urban life: Problems, causes and solutions. Oxford:

Elsevier.

Gifford, R. (1976). Environmental numbness in the classroom.

Journal of Experimental Education, 44(3), 4-7.

Gifford, R. (2008). Psychology’s essential role in climate change.

Canadian Psychology, 49, 273-280. doi:10.1037/a0013234

Gifford, R. (2011). The dragons of inaction: Psychological barriers

that limit climate change mitigation and adaptation. American

Psychologist, 66, 290-302. doi: 10.1037/a0023566

Gifford, R., Iglesias, F., & Casler, J. (2009). Development of a

measure of individuals obstacles to pro-environmental behaviour

(IOPB). Trabalho apresentado no 11th European Congress of

Psychology, Oslo, Noruega.

Goldstein, N. J., & Cialdini, R. B. (2009). Normative influences on

consumption and conservation behaviors. In M. Wänke, Social

psychology of consumer behavior (pp. 273-296). New York:

Psychology Press.

Hair, J. F., Anderson, R. E., Tatham, R., & Black, W.C., (2005).

Análise multivariada de dados. Porto Alegre: Bookman.

Iglesias, F., Gifford, R., & Casler, J. (2009). Environmentally (ir)

responsible behaviour: A measure of psychological justifications.

Trabalho apresentado na 2009 Convention da Canadian

Psychological Association, Montreal, Canada.

Hawcroft, L. J., & Milfont, T. L. (2010). The use (and abuse)

of the new environmental paradigm scale over the last 30

years: A meta-analysis. Journal of Environmental Psychology,

, 143-158. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.jenvp.2009.

003

Kennedy, E. H., Beckley, T. M, McFarlane, B. L., & Nadeau, S. (2009). Why we don’t “walk the talk”: Understanding the environmental values/behaviour gap in Canada. Human Ecology Review, 16(2), 151-160.

Koger, S. M., & Winter, D. D. (2010). The psychology of

environmental problems. New York: Psychology Press.

Kollmus, A., & Agyeman, J. (2002). Mind the gap: Why do people act environmentally and what are the barriers to proenvironmental behavior? Environmental Education Research, 8(3), 239-260. doi:10.1080/13504620220145401

Levav, J. & Zhu, R. (2009). Seeking freedom though variety.

Journal of Consumer Research, 36, 600-610. doi: 10.1086/

Lewicka, M. (2011). Place attachment: How far have we come in

the last 40 years? Journal of Environmental Psychology, 31 (3),

-230. doi:10.1016/j.jenvp.2010.10.001

Lokhorst, A. M., Werner, C., Staats, H., van Dijk, E., & Gale,

J. L. (2013). Commitment and behavior change: A metaanalysis

and critical review of commitment-making strategies in environmental research. Environment & Behavior, 45, 3-34.

Doi 10.1177/0013916511411477

Neal, D., Wood, W., Labrecque, J., & Lally, P. (2011). How do

habits guide behavior? perceived and actual triggers of habits

in daily life. Journal of Experimental Social Psychology, 48,

-498. http://dx.doi.org/10.1016/j.jesp.2011.10.01

Osbaldiston, R. & Schott, J. P. (2012). Environmental sustainability

and behavioral science: Meta-analysis of proenvironmental

behavior experiments. Environment & Behavior, 44, 257-299.

doi: 10.1177/0013916511402673

Paulhus, D. L. (1991). Measurement and control of response bias.

In J. P. Robinson, P. R. Shaver & L. S. Wrightsman (Eds.),

Measures of personality and social psychological attitudes

(pp. 17-59). San Diego, CA: Academic Press.

Pelletier, L. G., Tuson, K., Green-Demers, I., Noels, K., & Beaton,

A. (1998). Why are you doing things for the environment? The

Motivation Toward the Environment Scale (MTES). Journal of

Applied Social Psychology, 28, 437-468. doi 10.1111/j.1559-

1998.tb01714.x

Ross, L., Lepper, M., & Ward, A. (2010). History of social

psychology: Insights, challenges and contributions to theory and

application. In S. T. Fiske, D. T. Gilbert & G. Lindzey (Orgs.).

Handbook of social psychology (5th ed.) (Vol. 1; pp. 3-50). New

York: Wiley.

Schultz, P. W., Gouveia, V. V., Cameron, L. D., Tankha, G.,

Schmuck, P., & Franek, M. (2005). Values and their relationship

to environmental concern and conservation behavior. Journal of Cross-Cultural Psychology, 36, 457-475. doi:

1177/0022022105275962

Schultz, P. W., Nolan, J. M., Cialdini, R. B., Goldstein, N. J., &

Griskevicius, V. (2007). The constructive, destructive, and

reconstructive power of social norms. Psychological Science,

(5), 429-434. doi: 10.1111/j.1467-9280.2007.01917.x

Schwartz, S. H. (2012). An overview of the Schwartz theory of

basic values. Online Readings in Psychology and Culture, 2(1).

doi: org/10.9707/2307-0919.1116

Shah, P. (2012). Toward a neurobiology of unrealistic

optimism. Frontiers in Psychology, 12(3), 344. doi: 10.3389/

fpsyg.2012.00344.

Steg, L., Bolderdijk, J. W., Keizer, K. E., & Perlaviciute, G. (2014).

An integrated framework for encouraging pro-environmental

behaviour: The role of values, situational factors and goals.

Journal of Environmental Psychology, 38, 104-115. doi: http://

dx.doi.org/10.1016/j.jenvp.2014.01.002

Stern, P. C. (2008). Environmentally significant behavior in

the home. In A. Lewis (Ed.). The Cambridge handbook of

psychology and economic behaviour (pp. 363-382). Cambridge:

Cambridge University Press.

Verplanken, B. & Roy, D. (no prelo). Consumer habits and

sustainable consumption. In L. Reisch & J. Thogersen (Eds.).

Handbook of sustainable consumption. Cheltenham, UK:

Edward Elgar.

Vijver, F. J. R. van de, & Leung, K. (2011). Equivalence and bias:

A review of concepts, models, and data analytic procedures.

In D. Matsumoto, & F. J. R. van de Vijver (Eds.). Cross-cultural

research methods in psychology (pp. 17-45). New York:

Cambridge University Press.

Publicado
2014-10-30
Como Citar
Iglesias, F., Caldas, L. S., & Rabelo, L. A. T. (2014). Negando ou Subestimando Problemas Ambientais: Barreiras Psicológicas ao Consumo Responsável. Psico, 45(3), 377-386. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2014.3.17316
Seção
Comportamento Pró-ambiental e Sustentabilidade