A Criação de Amigos Imaginários: Uma Revisão de Literatura

  • Natália Benincasa Velludo Universidade Federal de São Carlos
  • Débora de Hollanda Souza Universidade Federal de São Carlos
Palavras-chave: Amigo imaginário, Brincar de faz de conta, Crianças.

Resumo

A brincadeira de faz de conta representa um importante marco no desenvolvimento infantil. Entre as diversas formas que a brincadeira simbólica pode assumir, uma se destaca por suas características singulares: a criação de amigos imaginários. Embora o fenômeno já tenha sido associado a diferentes aspectos positivos do desenvolvimento, as pesquisas nacionais sobre o tema são escassas. O presente trabalho pretende contribuir para esse campo de estudos, apresentando uma revisão sistemática da literatura sobre amigos imaginários. A pesquisa bibliográfica foi feita por meio de uma análise de livros e artigos indexados nas bases de dados SciELO-Brasil, Index Psi, PePSIC, LILACS e PsycINFO. No total, foram encontrados 46 trabalhos nacionais e estrangeiros, publicados entre 1934 e 2013. A literatura sugere que a criação de amigos imaginários é associada a ganhos importantes, por exemplo, em criatividade, sociabilidade e cognição social. Sugerem-se, portanto, direções futuras para o desenvolvimento desta linha de pesquisa no país.

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Biografia do Autor

Natália Benincasa Velludo, Universidade Federal de São Carlos
Psicóloga formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi/ UFSCar) e membro do Laboratório de Interação Social (LIS/UFSCar).
Débora de Hollanda Souza, Universidade Federal de São Carlos
Ph.D. em Psicologia do Desenvolvimento pela University of Texas at Austin. Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da UFSCar, Professora orientadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi/UFSCar) e membro do Laboratório de Interação Social (LIS/UFSCar).

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Publicado
2015-03-17
Como Citar
Velludo, N. B., & Souza, D. de H. (2015). A Criação de Amigos Imaginários: Uma Revisão de Literatura. Psico, 46(1), 25-37. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.1.16406
Seção
Artigos