Abissínios, engrossadores e cogumelos

Bento Aranha e o republicanismo radical no extremo Norte do Brasil, 1870-1910

Palavras-chave: Republicanismo, Jacobinismo, Radicalismo Político

Resumo

O artigo aborda a trajetória política de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, importante intelectual e jornalista do extremo Norte do país, onde se destacou como o maior propagandista da causa republicana. Dividindo sua longa vida pública de mais de 50 anos entre as cidades de Belém e Manaus, tornou-se, por volta de 1870, pioneiro na defesa do regime republicano no Amazonas e no Pará, reverberando suas ideias de uma República popular e revolucionária por meio de uma crônica jornalista intensa e incisiva. Desgostoso com a República, passou a ser associado ao jacobinismo político por voltar sua crítica radical contra os primeiros governos republicanos e o modelo de República vencedor no 15 de Novembro. Bento Aranha, que assumiu vários mandatos parlamentares na Província do Amazonas, chegou ao fim de sua vida considerando-se excluído e no ostracismo. Sua voz incômoda contribuiu para que se tornasse um esquecido não apenas pela sociedade em que (e pela qual) atuou, como também pela historiografia. Acompanhá-lo por intermédio de suas crônicas na imprensa, é abrir a possibilidade para a compreensão de como a República foi pensada, recepcionada e, também, combatida fora dos espaços tradicionais do poder no Brasil.

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Biografia do Autor

Luís Balkar Sá Peixoto Pinheiro, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, Brasil.

Doutor e pós-doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), em São Paulo, SP. Brasil; professor titular na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus, AM, Brasil; coordenador do Laboratório de História da Imprensa no Amazonas (LHIA-UFAM) e do Grupo de Pesquisa em História Social da Amazônia (UFAM/CNPq), em Manaus, AM, Brasil.

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Publicado
2021-08-12
Como Citar
Pinheiro, L. B. S. P. (2021). Abissínios, engrossadores e cogumelos: Bento Aranha e o republicanismo radical no extremo Norte do Brasil, 1870-1910. Oficina Do Historiador, 14(1), e40154. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2021.1.40154