O mito da União Nacional: a Construção das "Famílias Brasileiras" na Ditadura do Estado Novo

Palavras-chave: Ditadura do Estado Novo. Família. Política.

Resumo

Este artigo procura estabelecer a relação entre mitologia política, através da construção de Getúlio Vargas como o “pai dos pobres”, a questão da construção e solidificação da memória de determinado regime político, bem como a construção retórica por parte da política estado-novista em relação à família. Para isto, na primeira parte deste artigo se aborda o modo como o Estado Novo interferiu na família através de uma concepção pública, ou materializada, demonstrando ações efetivas do Estado em relação à família, notadamente através de políticas públicas que buscaram transformar a força de trabalho. Em um segundo momento, busca-se complementar este movimento, abordando modos em que o Estado Novo utilizou-se de uma ideia privada de família, ao se utilizar desta para a retórica política de união nacional através do trabalho, do mesmo modo que para a coação de setores sociais. Por fim, como se construiu, durante o Estado Novo, a mitologia política de Vargas como o “pai dos pobres” e qual o resultado disto no que se refere a construção de memória.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fábio Roberto Wilke, Universidade Federal de Santa Maria
Graduado em História Licenciatura Plena e Bacharelado pela Universidade Federal de Santa Maria. Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria. Área de concentração História, Cultura e Poder. Linha de pesquisa Cultura, Migrações e Trabalho. Possui interesse em temas ligados ao período do Brasil Republicano, de modo geral. Em específico, questões que se referem a Autoritarismos, Ditaduras, Estado, Política e Formação Social. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pelo Programa de Demanda Social(CAPES-DS).

Referências

BARTHES, Roland. Mitologias. São Paulo: Difel, 1982.

CANDAU, Jöel. Memória e identidade. São Paulo: Contexto, 2014.

CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 1999.

D’ARAÚJO, Maria Celina de. Getúlio Vargas. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições

Câmara, 2011.

DE OSTOS, Natascha Stefania Carvalho. Terra Adorada, Mãe Gentil: representações do feminino e da natureza no Brasil da Era Vargas (1930-1945). UFMG, 2009.

FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2015.

FONSECA, Pedro Cezar Dutra. Vargas: o capitalismo em construção – 1906-1954. São

Paulo: Brasiliense, 1989.

GAGNEBIN, Jeanne-Marie. Verdade e memória do passado. Memória, história, testemunho. In: Lembrar, escrever, esquecer. São Paul: Editora 34, 2006.

GIRARDET, Raoul. Mitos e mitologias políticas. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

GOMES, Angela de Castro. Ideologia e trabalho no Estado Novo. In. PANDOLFI, Dulce

(Org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. da Fundação Getúlio Vargas, 1999.

GRAMSCI, A. Maquiavel: a política e o Estado Moderno. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização

Brasileira, 1991.

HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo, Centauro: 2006.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Recenseamento Geral do

Brasil. Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1950. P. 29.

MICELI, Sérgio. Intelectuais e classe dirigente no Brasil (1920-1945). São Paulo – Rio de

Janeiro: Difel/Difusão Editorial S.A. 1979.

MARCONDES FILHO, Alexandre. Trabalhadores do Brasil. Rio de Janeiro: Edição da

Revista Judiciária, 1943

NORA, Pierra. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, PUC, nº 10, dez. 1993.

OLIVEIRA, Lúcia Lippi. O intelectual do DIP: Lourival Fontes e o Estado Novo. In.

Constelação Capanema: intelectuais e política. Helena Bomeny (Org.). Rio de Janeiro: Ed.

Fundação Getulio Vargas; Bragança Paulista (SP): Ed. Universidade de São Francisco, 2001.

POLETTI, Ronaldo. Constituições Brasileiras: 1934. 3ª ed. Brasília: Senado Federal/Subsecretaria de Edições Técnicas, 2012.

PONTES JR, Geraldo. PEREIRA, Victor Hugo Adler (orgs.). O velho, o novo, o reciclável – Estado Novo. Rio de Janeiro: De Letras, 2008.

SEIXAS, Jacy Alves de. Percursos e memórias em terras de história: problemáticas atuais. In. BRESCIANI, Stella; NAXARA, Marcia. Memória e (res)sentimentos. Indagações sobre uma questão sensível. Ed. UNICAMP. 2004.

SILVEIRA, Helder Gordim da. ABREU, Luciano Aronne de. (orgs). De Vargas aos militares: autoritarismo e desenvolvimento econômico no Brasil. Porto Alegre: Edipucrs, 2014.

SIRONNEAU, Jean-Pierre. Retorno do mito e imaginário sócio-político e organizacional. Revista da Faculdade de Educação. São Paulo, nº 11, p. 243-274, 1985.

VARGAS, Getúlio. A nova política do Brasil: O Estado Novo [de] 10 de novembro de 1937 a 25 de julho 1938. Rio de Janeiro: José Olympio, 1938. V. 5.

_____________. A nova política do Brasil: No limiar de uma nova era [de] 20 de outubro de 1939 a 29 de junho de 1940. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. V. 7.

VELLOSO, Mônica Pimenta. “Uma Configuração do Campo Intelectual”. In: OLIVEIRA,

Lúcia Lippi; VELLOSO, Mônica Pimenta & GOMES, Ângela Maria de Castro (Orgs.).

Estado Novo: Ideologia e Poder. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.

WINTER, Jay. A geração da memória: reflexões sobre o "boom da memória" nos estudos contemporâneos de história. In: SELLIGMAN-SILVA, Márcio (org.). Palavra e imagem: memória e escritura. Chapecó, SC: Argos, 2006.

Publicado
2018-01-11
Como Citar
Wilke, F. R. (2018). O mito da União Nacional: a Construção das "Famílias Brasileiras" na Ditadura do Estado Novo. Oficina Do Historiador, 10(2), 28-46. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2017.2.27448