O declínio do Estado Novo, a legislação eleitoral e a atuação de Otávio Mangabeira na campanha da UDN Baiana – 1945

Palavras-chave: Estado Novo. União Democrática Nacional. Otávio Mangabeira.

Resumo

Pretende-se discutir neste artigo de que modo as regulamentações impostas às primeiras eleições que marcaram o declínio do Estado Novo, pelo Ato de nº 9 e pelo Decreto-Lei nº 7.856, ambos de 1945, impactaram na organização dos partidos políticos na Bahia, especialmente sobre a UDN, desdobramento da Concentração Autonomista, agremiação política que fez oposição a Vargas desde as eleições de 1934. Investiga-se, também, a relação desse Partido com os eleitores baianos, verificando as estratégias dos dirigentes políticos para lidaram com as novas determinações da legislação eleitoral, no intuito de fortalecer a agremiação partidária e agregar votos de uma parcela significativa de eleitores que, pela primeira vez, iriam participar do pleito eleitoral. Nesse processo, destaca-se o papel exercido por Otávio Mangabeira que desde 1930, quando foi deposto do cargo de Ministro das Relações Exteriores do governo de Washington Luís, passou a atuar contra o governo Vargas, seja no exílio, onde esteve a maior parte do período varguista ou no Brasil durante o governo constitucional, entre os anos de 1934 e 1937.

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Biografia do Autor

Eliana Evangelista Batista, Universidade Federal da Bahia
Doutoranda em História pela Universidade Federal da Bahia. Mestra e graduada em História pela Universidade do Estado da Bahia. Pesquisa a política varguista na Bahia, em especial os grupos políticos do interior do estado que, durante os quinze anos após a Revolução de 1930 colocaram-se a favor e contra o governo Vargas em nível nacional e, de forma contundente, em nível local.

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Publicado
2018-01-11
Como Citar
Batista, E. E. (2018). O declínio do Estado Novo, a legislação eleitoral e a atuação de Otávio Mangabeira na campanha da UDN Baiana – 1945. Oficina Do Historiador, 10(2), 9-27. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2017.2.27430