De sirenis: imagem e mito na literatura moderna

Palavras-chave: História. Literatura. Híbrido. Sereia.

Resumo

Este artigo tenciona apresentar uma análise crítica da imagem da sereia em suas fontes e por meio de sua evolução, do episódio épico descrito por Homero à narrativa moderna. Os discursos da historiografia, literatura e religião contam o mito assumindo características distintas, mesclando-as a contextos literários, filosóficos e sociais. As implicações desses contextos afetaram a representação do mito em sua forma literária. Uma revisão historiográfica e literária dos textos de Manuel Bernardes, Gilberto Freyre, Joaquim Ruyra e José Cândido de Carvalho mostram que as diferenças entre essas versões são menores após o século XVII. As variantes do mito são examinadas de acordo com os estudos de Dana Oswald, Lisa Verner, e Luís da Câmara Cascudo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Alice Ribeiro Gabriel, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadora vinculada ao grupo Variações do Insólito: do mito clássico à modernidade. UFPB/CNPq e ao Laboratório de Estudos Judaicos (LEJ) da Universidade Federal de Uberlândia.

Referências

AZEVEDO, Ana Maria. Introdução. In: CARDIM, Fernão. Tratados da Terra e Gente do Brasil. Introdução e organização de Ana Maria de Azevedo. São Paulo: Hedra, 2009. p. 9-78.

BARLÉU, Gaspar. História do Brasil sob o governo de Maurício de Nassau (1636-1644). Tradução do original, notas e prefácio de Blanche T. van Berckel-Ebeling. Recife: Cepe editora. 2018.

BERNARDES, Manuel. Lenda da mulher marinha. In: CASTILHO, Antônio Feliciano de. Manuel Bernardes: Excertos. Rio de Janeiro: Livraria de B. L. Garnier, Editor, 1865. p. 94-8.

BURKE, Peter. Revolution in Popular Culture. In: HINDS, Harold E.; MOTZ, Marilyn Ferris; NELSON, Angela M. S. (eds.). Popular Culture Theory and Methodology. Madison, Wiscosin: The University of Wisconsin Press, 2006. p. 30-46. https://doi.org/10.1017/s0021875806423458

CARVALHO, José Cândido de. O Coronel e o Lobisomem. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1987. https://doi.org/10.11606/t.8.2008.tde-27032012-163120

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1993. https://doi.org/10.2307/335622

CICALA, John Alan. Ethnic Folklore. In: CAYTON, Andrew R. L.; SISSON, Richard; ZACKER, Chris (eds.). The American Midwest: An Interpretive Encyclopedia. Bloomington, Indianapolis: Indiana University Press, 2007.

p. 405-407.

DÉGH, Linda. Legend and Belief: Dialectics of a Folclore Genre. Bloomington/ Indianapolis: Indiana University Press, 2001.

FREYRE, Gilberto. Assombrações do Recife Velho. Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.

GÂNDAVO, Pero de Magalhães de. A Primeira História do Brasil: História da província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Modernização do texto original de 1576 e notas de Sheila Moura Hue e Ronaldo Menegaz. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. https://doi.org/10.11606/t.8.2015.tde-06102015-150046

JEANNELLE, Jean-Louis; PHILIPPE, Gilles. La “littéraIrité” à l’épreuve d’une histoire des pratiques littéraires. In: JEANNELLE, Jean-Louis; PHILIPPE, Gilles. Le mot juste. Paris: Presses Sorbonne Nouvelle, 2006. p. 39-50. https://doi.org/10.1353/ahs.2016.0102

LANCIANI, Giulia. Os relatos de naufrágios na literatura portuguesa nos séculos XVI e XVII. Instituto de Cultura Portuguesa, Presidência do Conselho de Ministros, Secretaria de Estado da Cultura, 1979. https://doi.org/10.14195/978-989-26-0405-3_4

MILLIKEN, Roberta. Sirens and Mermaids. In: MILLIKEN, Roberta. Ambiguous Locks: An Iconology of Hair in Medieval Art and Literature. Jefferson, North Carolina, and London: McFarland & Company, Inc., Publishers, 2012. p. 123-33. https://doi.org/10.1086/685890

OSWALD, Dana. Monstrous Gender: Geographies of Ambiguity. In: MITTMAN, Asa Simon; DENDLE, Peter J. (eds.). The Ashgate Research Companion to Monsters and the Monstrous. Ashgate, 2012. p. 343-364. https://doi.org/10.1108/09504121311290435

PEDERSEN, Tara E. Mermaids and the Production of Knowledge in Early Modern England. Farnham and Burlington: Ashgate, 2015.

PRIORE, Mary Del. Esquecidos por Deus: Monstros no Mundo Europeu e Íbero-Americano (Sèculos VI-XVIII). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

RUYRA, Joaquim. Jacobé: narraciones del mar y la montaña. Barcelona: E. Domenech, 1909. p. 57-61.

SHANKMAN, Steven Shankman; DURRANT, Stephen W. The Siren and the Sage: Knowledge and Wisdom in Ancient Greece and China. London, New York: Cassell, 2000. https://doi.org/10.2307/3109452

SCHLANGER, Judith. La Mémoire des oeuvres. Paris: Nathan, 1992.

SOUSA, Gabriel Soares de; VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. Tratado descriptivo do Brazil em 1587. Rio de Janeiro: Typographia Universal de Lammert, 1851.

VERNER, Lisa. The Epistemology of the Monstrous in the Middle Ages. London, New York: Routledge, 2005.

VIEIRA, Antônio. Sermão de Santo Antônio aos Peixes. In:

VIEIRA, Antônio. Sermões, II. Lisboa, Centro de Estudos de Filosofia; Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010. https://doi.org/10.17851/2359-0076.30.43.187-191

Publicado
2019-08-08
Como Citar
Gabriel, M. A. R. (2019). De sirenis: imagem e mito na literatura moderna. Navegações, 12(1), e27331. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2019.1.27331
Seção
Ensaios