Aquilino Ribeiro e o caderno de uma guerra mundial a nascer

  • Carina Infante Carmo Universidade do Algarve/Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Palavras-chave: Diário, I Guerra Mundial, Antibelicismo, Paris, Paisagem urbana

Resumo

Em 1934, Aquilino Ribeiro publica o diário É a guerra onde fixa a visão de estrangeiro sobre Paris, que mergulha gradualmente na escalada da I Guerra Mundial. As acusações de germanofilia dirigidas a Aquilino vêm da sua “imoderada franqueza” sobre o campo francês, revelada nesta obra. Escandido pelos dias que vão do eclodir do conflito ao regresso do escritor a Portugal, no fim de Setembro de 1914, É a Guerra é um texto híbrido que não foge ao registo ensaístico e jornalístico. Na mistura deliberada de géneros, Aquilino escreve a memória pessoal do século XX, a nascer a ferro e fogo entre derivas nacionalistas e imperialistas. Fala da efervescência humana da cidade de Paris, já transfigurada pelos crescentes sinais da guerra e que, para ele, em grande medida, se torna mal-amada e motivo de observação perplexa e reactiva. ***************************************************** Aquilino Ribeiro and the notebook of a rising World War In 1934, Aquilino Ribeiro publishes his diary É a Guerra [It is War], where he fixed his literary gaze over, gradually determined by the escalation to I World War. At this time Aquilino Ribeiro was often accused of germanophilia. These accusations can be justified by his tempered sincerity about the French side, as we can confirm in this work. É a Guerra follows on a daily basis the time between the outbreak of the conflict and the writer’s return to Portugal, at the end of September 1914. This is a hybrid book which explores both the essayist and journalistic style. With the mixture of genres, Aquilino Ribeiro writes his personal memory of the first decades of the 20th century: of a time when violence promoted by nationalists and imperialists expands. Aquilino talks about the human effervescence of Paris, already transformed by increasing signs of war. Therefore Paris becomes in his writing mostly an unaffectionate city observed in a perplexed and reactive way. Diary; I War World; Antibelicism; Paris, Urban landscape

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BAUDELAIRE, Charles. Les fleurs du mal suivies de Petits poèmes en prose, Curiosités esthétiques, L’art romantique, Journaux intimes (extraits), La Fanfarlo. Préf. et commentaires Robert Sctric. Paris: Presses Pocket, 1989.

BENJAMIN, Walter. O narrador. Reflexões sobre a obra de Nikolai Lesskov. In: Sobre arte, técnica, linguagem e política. Intr. T. W. Adorno. Lisboa: Relógio d’Água, 1992. p. 27-57.

BENJAMIN, Walter. El Paris del Segundo Império en Baudelaire. In: Iluminaciones II. Poesia y capitalismo. Prólogo y trad. Jesús Aguirre, Madrid: Taurus, 1998. p. 21-120.

BARRENTO, João. Figuras da modernidade na poesia urbana: de Baudelaire a Pessoa. In: O espinho de Sócrates: Expressionismo e modernismo. Lisboa: Presença, 1987. p. 85-101.

BUESCU, Helena Carvalhão. Incidências do olhar: Percepção e representação. Natureza e registo descritivo na evolução do romance romântico (Portugal, França, Inglaterra). Lisboa: Caminho, 1990.

CHAGAS, João. Diário I. 1914. Prefácio João B. Serra. Lisboa: Rolim, 1986.

HOBSBAWN, Eric. A era do Império (1875-1914). Lisboa: Presença, 1990.

LEJEUNE, Philippe. “Continue et discontinu”. In: Signes de vie: Le pacte autobiographique 2. Paris: Seuil, 2005. p. 73-90.

LÉNINE, V.I. O imperialismo: Fase superior do capitalismo. Lisboa: Avante!, 2000.

MARTELO, David. Estabilização da Frente Ocidental. In: AFONSO, Aniceto Afonso; GOMES, Carlos Matos (Dir.). Portugal e a Grande Guerra 1914-1918. Matosinhos: Quidnovi, 2010. p. 112-117.

NOVAIS, Noémia Malva. João Chagas: A diplomacia e a guerra (1914-1918), Coimbra: Minerva, 2006.

RIBEIRO, Aquilino. É a guerra: Diário. Lisboa: Bertrand, 1934.

RIBEIRO, Aquilino. Páginas do exílio: Cartas e crónicas de Paris. 1908-1914. Recolha de textos e org. Jorge Reis. Lisboa: Vega, [1988a]. Vol. 1.

RIBEIRO, Aquilino. Páginas do exílio: Cartas e crónicas de Paris. 1927-1930. Recolha de textos e org. Jorge Reis. Lisboa: Vega, [1988b]. Vol. 2.

SANCHÉZ MORONI, Andréia. La edición de la intimidad: Diarios íntimos y sus procesos editoriales. Trabalho apresentado como requisito para a obtenção do título de Master no âmbito do Programa de Doutoramento em Teoria da Literatura e Literatura Comparada do Departamento de Filologia Espanhola/ Universidad Autónoma de Barcelona, 2006. 130fls.

STEINER, George. No castelo do Barba Azul: algumas notas para a redefinição da cultura. Lisboa: Relógio d’Água, 1992.

VIDIGAL, Luís. Recensão de Jorge Reis, Aquilino em Paris e Páginas de exílio. Colóquio/Letras, n. 104-105, p. 173-175, jul. 1988.

VIRNO, Paolo. Multidão e princípio de individuação. In:

DIAS, Bruno Peixe; NEVES, José (Dir.). A política dos

muitos: povo, classes e multidão. Lisboa: Tinta-da-China, 2010.

p. 393-405.

Publicado
2014-10-08
Como Citar
Carmo, C. I. (2014). Aquilino Ribeiro e o caderno de uma guerra mundial a nascer. Navegações, 7(1), 61-68. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2014.1.15453
Seção
Ensaios