A controvérsia sobre as forças vivas e a primeira obra de Kant: na fronteira entre metafísica e ciência

Palavras-chave: Kant. metafísica. física. forças vivas.

Resumo

 O presente artigo se propõe a oferecer uma abordagem introdutória da primeira obra de Immanuel Kant, os Pensamentos sobre a verdadeira estimação das forças vivas, publicada em 1749. Num primeiro momento, procura-se compreender as possíveis motivações de Kant ao publicar este trabalho em língua vernácula – mesmo em meio a dificuldades financeiras – a partir do ambiente da Universidade de Königsberg. Em seguida, alude-se brevemente ao contexto histórico-filosófico da controvérsia sobre as forças vivas que, basicamente, consistia numa diferença entre cartesianos e leibnizianos a respeito da mensuração da força de um corpo em movimento. Por fim, apresenta-se a posição de Kant no debate, tal como se encontra na referida obra, avaliando-a em seus aspectos científico, metafísico e metodológico. A tese central consiste em afirmar que, ainda que o primeiro escrito de Kant apresente lacunas no tocante ao conhecimento científico de seu tempo, oferece aportes interessantes para a compreensão do desenvolvimento filosófico do autor.  

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Biografia do Autor

Elton Cândido Ribeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Bacharel em teologia (CESJF/MG). Mestre em filosofia pela PUC-SP. Doutorando em filosofia pela mesma instituição. Bolsista da CAPES.

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Publicado
2019-12-18
Como Citar
Ribeiro, E. C. (2019). A controvérsia sobre as forças vivas e a primeira obra de Kant: na fronteira entre metafísica e ciência. Intuitio, 12(2), e32506. https://doi.org/10.15448/1983-4012.2019.2.32506