A cidade de Sócrates: ensaio sobre a natureza da verdadeira arte política em Górgias

Palavras-chave: Górgias, Platão, Cálicles, Recalcitrância

Resumo

Este trabalho se propõe a indagar em que consiste a recalcitrância de Cálicles, que Sócrates reconhece como sua pedra de toque, no diálogo Górgias de Platão. A chave de leitura para pensar o não-diálogo entre Cálicles e Sócrates está, segundo minha hipótese, na analogia entre os amantes dos dois personagens. Os amantes de Sócrates, Alcebíades e a filosofia, são a interiorização (e não a eliminação) do conflito externo com Cálicles. Segundo Hannah Arendt, o acordo consigo mesmo é a resposta socrática à irredutibilidade de Cálicles. Com essa operação, Platão cria uma complexa relação entre os dois modos de vida em jogo e, pela correspondência entre a alma e a cidade, o não-diálogo se desdobra em duas cidades distintas, uma sendo o avesso da outra, como na anedota acerca dos dois discursos sobre Helena proferidos pelo Górgias histórico – que dá nome ao diálogo.

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Biografia do Autor

Raquel Azevedo, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Doutoranda em Filosofia na PUC-Rio

Referências

ARENDT, H. A dignidade da política. 3. ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

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Publicado
2019-07-11
Como Citar
Azevedo, R. (2019). A cidade de Sócrates: ensaio sobre a natureza da verdadeira arte política em Górgias. Intuitio, 12(1), e26666. https://doi.org/10.15448/1983-4012.2019.1.26666