O Trabalho em Marx como Antinaturalidade: sobre a oposição entre história e natureza

  • Vitor Vasconcelos Araújo Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: Trabalho. Natureza. Antinatural. Hegel. Marx.

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar a forma do trabalho em Marx como oposição à dimensão vital da natureza organizada. Discutiremos em O capital a aparição da categoria trabalho como uma forma de transformação dos objetos físicos e naturais a partir do investimento de valor social nas formas imediatas da subsistência nativa dos objetos naturais. Em seguida, mostraremos que a apresentação marxiana se distingue da aparição da vida orgânica no pensamento de Hegel. Com essa apresentação, desejamos mostrar, sobretudo, que, para Hegel, a dimensão vital dos organismos vivos já configura uma forma mediata e sucessiva à mecânica e à física. Por esta razão, não pode haver, em Hegel, uma caracterização imediata da natureza na totalidade do sistema. A natureza só pode ser caracterizada como uma imediatez nos Princípios da filosofia do direito, com a importante ressalva de que essa imediaticidade é relativa ao Espírito e se apresenta muito mais como uma estratégia de discussão dos objetivos centrais desta obra do que a tentativa de imputar à natureza uma oposição em relação à vida espiritual. Concluímos, portanto, que Marx está mais próximo da restrição metodológica construída por Hegel para discutir a liberdade humana na sua filosofia do direito do que da totalidade construída no conjunto da Enciclopédia. 

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Biografia do Autor

Vitor Vasconcelos Araújo, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Doutorando do departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

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Publicado
2016-12-20
Como Citar
Araújo, V. V. (2016). O Trabalho em Marx como Antinaturalidade: sobre a oposição entre história e natureza. Intuitio, 9(2), 103-117. https://doi.org/10.15448/1983-4012.2016.2.24996