Freud e a semiconsciência feliz: o mal-estar na civilização e a pós-modernidade

  • Maicon Reus Engler (UFSC) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Palavras-chave: Freud, Mal-estar na civilização, Sentimento de culpa, Felicidade.

Resumo

O propósito deste artigo é mostrar que algumas das teorias sócio-políticas de Freud, publicadas no livro O Mal-estar na Civilização, não possuem hoje a mesma validade de que gozavam quando foram propostas. Faço uma análise do conjunto do texto, dando ênfase à tese segundo a qual o avanço da civilização acarretaria um aumento da insatisfação pessoal de seus membros. O argumento básico é que essa tese teria sido superada pela emergência de novas formas de vida próprias da era pós-moderna, isto é, que atualmente as pessoas já não sentiriam de foram tão aguda o mal-estar advindo dos progressos civilizacionais, senão que viveriam espécie de “semiconsciência feliz”. Sugiro três razões para explicar esse fato: a quebra com a tradição (filosofia e política) exemplificada pela democracia; o aumento dos direitos individuais e da possibilidade de satisfação dos desejos (hedonismo); e, por fim, a minimização da consciência do sujeito pós-moderno. A conclusão apresenta dois lados: primeiro, seguindo a argumentação, admite que os indivíduos de hoje seriam mais felizes; segundo, sugere razões para se crer no contrário. A resolução desse paradoxo se dá por uma breve crítica à noção biológico-hedonista que Freud tem da felicidade

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Biografia do Autor

Maicon Reus Engler (UFSC), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Bacharel e mestre em filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutorando na área de ontologia da mesma instituição; bolsista Capes.
Publicado
2013-11-26
Como Citar
Reus Engler (UFSC), M. (2013). Freud e a semiconsciência feliz: o mal-estar na civilização e a pós-modernidade. Intuitio, 6(2), 19-38. Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/intuitio/article/view/13560
Seção
Artigos