Histórias de violações dos direitos humanos na Era Pinochet: sequestros, desaparecimentos forçados e autoritarismo

Palavras-chave: Autoritarismo. Desaparecimento forçado. Ditadura chilena.Fundo Clamor. Arquivos do Terror.

Resumo

Este artigo se trata de uma pesquisa sobre violações dos direitos humanos demulheres e crianças desaparecidas, sequestradas, presas e torturadas durante a ditadura chilena, registradas no Fundo Clamor, do Centro de Documentação e Informação Científica (CEDIC), localizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP, e nos Arquivos do Terror, localizados no Centro de Documentação e Arquivo para a Defesa dos Direitos Humanos (CDyA) do Supremo Tribunal de Justiça do Paraguai, durante os anos de 1973 a 1990. A metodologia adotada foi a pesquisa documental analítica e descritiva. Dos acervos analisados, foram selecionados registros cujas informações remetiam à prisão, sequestro e tortura de militantes grávidas e de crianças detidas. Ao término da pesquisa, constatou-se que os Arquivos do Terror e do Fundo Clamor contribuem para o resgate da memória histórica do período ditatorial chileno, como também para o conhecimento do envolvimento das autoridades militares brasileiras na ação conjunta realizada com os países do Cone Sul no processo de prisão, sequestro, tortura e desaparecimento de centenas de militantes políticos e seus familiares, violando os direitos humanos e democráticos desses cidadãos.

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Biografia do Autor

Anna Flavia Arruda Lanna Barreto, Centro Universitário UNA

Pós-doutora em História pela Universidade Federal de Minas Gerais na área de Memória e História, com ênfase no período das ditaduras militares dos países do
Cone Sul na América Latina e do Brasil. Doutora em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005), na linha de pesquisa " Tradição e Modernidade:
Política, Cultura e Trabalho", com ênfase na criminalidade urbana de jovens e adolescentes. Mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996),
na linha de pesquisa "Relações de Dominação". Graduada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993). Professora adjunta do Centro Universitário
UNA. Pesquisadora do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória (UFMG). Tem experiência na área de História Política, Educação, Direito e
Administração, atuando principalmente nos seguintes temas: democracia, ditaduras militares, repressão política na América Latina, justiça de transição democrática,
movimentos sociais e políticos; criminalidade e segurança pública, memória e história, direitos humanos, metodologia científica, pesquisa e inovação, educação e
desenvolvimento social, história da educação e do pensamento educacional brasileiro.

Natália Silva Teixeira Rodrigues de Oliveira, Centro Universitário UNA
É graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde também cursou Mestrado em Ciências Penais - "A Revisão Criminal no Brasil em face da proteção penal da sociedade" e Doutorado em Direito Processual Penal - "A tutela inibitória no processo penal: efetividade do processo na proteção da paz e da liberdade. Um estudo à luz dos princípios da responsabilidade e da vedação da proteção deficiente", já com ambos os trabalhos publicados. É professora do Curso de Direito do Centro Universitário UNA/Belo Horizonte, tendo sido uma de suas coordenadoras. Coordenou o ESAJUNA - Escritório de Prática Jurídica do Centro Universitário UNA. Ingressou na carreira acadêmica em 2000, além de ser advogada militante desde 1993. Atualmente, cursa o Doutoramento em Estudos Medievais do Instituto de Estudos Medievais, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa/Portugal. É pesquisadora rigorosa e se dedica também ao estudo da História e da Filosofia.

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Publicado
2019-03-22
Como Citar
Lanna Barreto, A. F. A., & de Oliveira, N. S. T. R. (2019). Histórias de violações dos direitos humanos na Era Pinochet: sequestros, desaparecimentos forçados e autoritarismo. Estudos Ibero-Americanos, 45(1), 29-42. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2019.1.31552
Seção
Dossiê: Direitos Humanos, História e Memória (1968-2018)