O cineasta Glauber Rocha e a América Latina

  • Gilberto Felisberto Vasconcellos Universidade Federal de Juiz de Fora
Palavras-chave: Glauber Rocha, Terceiro Mundo, América Latina, Cinema Novo

Resumo

Este artigo aborda o cinema de Glauber Rocha a partir da noção de Terceiro Mundo, que implica a discussão sobre o nacionalismo e o anti-imperialismo. Ele foi o cineasta brasileiro que se diasporizou pela América latina e entrou em contato com vários intelectuais de expressão. O Cinema Novo não deixou de denunciar, sobretudo na ensaística glauberiana, a balcanização em que se encontram os países latino-americanos, os quais são vítimas ideológicas do imperialismo audiovisual dominante e suas ramificações no gênero telenovela. A polaridade metrópole-colônia atravessa a filmografia de Glauber Rocha. A colonização econômica é o que determina a alienação cultural na América Latina. O cineasta viveu a contrarrevolução de 1964, da qual sobreveio o subimperialismo na América Latina, tendo o Brasil papel essencial na deflagração dessa política que não deixa de revigorar a mentalidade colonial que perpetua o desenvolvimento do subdesenvolvimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gilberto Felisberto Vasconcellos, Universidade Federal de Juiz de Fora
Professor Titular no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo.

Referências

CUNHA, Euclides. Os Sertões. Salvador: Ática, 1984.

EISENSTEIN, Serguei. O Sentido do Filme. São Paulo: Zahar, 1990.

______. A Forma do Filme. São Paulo: Zahar, 1990.

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.

FRANK, Gunder. O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento. Buenos Aires: Periferia, 1972.

GODARD, Jean-Luc. A História do Cinema. Paris: Gaumont, 1998.

MARX. Karl. O Capital. Paris: Pléiade, 1867.

______. A Ideologia Alemã. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. São Paulo: Papirus, 1996.

ROCHA, Glauber. A Revolução do Cinema Novo. Rio de Janeiro:

Alhambra, 1989.

______. O Século do Cinema. Rio de Janeiro. Alhambra, 1985.

______. A Revisão Crítica do Cinema Novo. São Paulo: Cosac & Naify, 1963.

______. Riverão Sussuarana. Rio de Janeiro: Record, 1978.

SILVA, Ludovico. La Filosofia de la Ociocidad. Caracas. Italgráfica, 1987.

SILVEIRA, Walter. Fronteiras do Cinema. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966.

______. O Eterno e o Efêmero. Salvador: Governo do Estado, 2006.

RAMOS, Jorge Abelardo. História da Nação Latinoamericana. Florianópolis: Insular, 2011.

RIBEIRO, Darcy. A Utopia Selvagem. São Paulo: Global, 1982.

______. Aos Trancos e Barrancos: como o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

Pátio. Glauber Rocha. Bahia. 1959. Curta-metragem. 11 min.

Barravento. Glauber Rocha. Bahia. Horus Filmes. 1961. Longametragem. 80 min.

Deus e o Diabo na Terra do Sol. Glauber Rocha. Rio de Janeiro. Copacabana Filmes. 1964. Longa-metragem. 125 min.

Maranhão 66. Glauber Rocha. Maranhão. 1966. Curta-metragem. 11 min.

Glauber Rocha. Rio de Janeiro. 1968. Curta-metragem. 22 min.

Terra em Transe. Glauber Rocha. Rio de Janeiro. Mapa Filmes e Difilm. 1967. Longa-metragem. 115 min.

Câncer. Glauber Rocha. Rio de Janeiro/Roma. Mapa Filmes. 1972. Longa-metragem. 86 min.

O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Glauber Rocha. Rio de Janeiro. Mapa Filmes. 1969. Longa-metragem. 95 min.

Der Leone Have Sept Cabeças. Glauber Rocha. Itália. Polifilm. 1970. Longa-metragem. 95 min.

Cabezas Cortadas. Glauber Rocha. Espanha. Profilmes. 1970. Longa-metragem. 80 min.

Di Cavalcanti. Glauber Rocha. Rio de Janeiro. Embrafilme. 1977. Curta-metragem. 18 min.

Claro. Glauber Rocha. Itália. DPT-SPA. 1975. Longa-metragem. 80 min.

Terra em Transe. Glauber Rocha. Rio de Janeiro. Embrafilme. 1980. Longa-metragem. 160 min.

Bye-Bye Brasil. Carlos Diégues. Rio de Janeiro. Embrafilme. 1979. Longa-metragem. 110 min.

À Bout de Souffle. Jean-Luc Godard. Paris. Imperia Films. 1960. Longa-metragem. 90 min.

A Greve. Serguei Eisenstein. Moscou. Boris Mikhin. 1925. Longametragem. 95 min.

Ravina. Rubem Biáfora. São Paulo. Vera Cruz. 1958. Longametragem.

min.

Publicado
2017-03-23
Como Citar
Vasconcellos, G. F. (2017). O cineasta Glauber Rocha e a América Latina. Estudos Ibero-Americanos, 43(1), 182-190. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2017.1.25138