Sobre a Evolução Histórica do Conceito de Tempo e uma Investigação do seu Significado entre Estudantes de Diferentes Níveis de Escolaridade

  • Eduardo Sörensen Ghisolfi

Resumo

O tempo é um conceito primitivo de amplo uso e cujo significado é construído desde a infância. Em Física, o tempo é uma grandeza fundamental, uma das grandezas de base do SI (Sistema Internacional de Unidades) e muitas outras são dele derivadas. Trata-se de um conceito que ocupa a mente dos pensadores (filósofos, cientistas, artistas...) desde as mais remotas eras. A sua natureza tem sido, por vezes, entendida como linear ou cíclica, como contínua ou descontínua, como reversível ou como irreversível. Alguns lhe associam um aspecto real, como um ente físico, outros lhe atribuem um caráter abstrato, por vezes idealizado; para alguns só existe na mente humana, para outros é uma realidade do mundo físico. Pouco se sabe sobre como os estudantes de um modo geral conceituam o tempo. Acredita-se que tal conhecimento poderia auxiliar o professor de Física a aprimorar sua prática. Este estudo é dividido em três partes: i) uma breve revisão sobre a evolução do conceito de tempo ao longo da história; ii) um breve estudo sobre como os livros-textos abordam o conceito; iii) uma investigação sobre como os estudantes (n=298) de diversos níveis de escolaridade conceituam o tempo. Um questionário predominantemente objetivo foi construído e utilizado para investigar as características relacionadas ao tempo. A maioria dos estudantes entende o tempo como um ente que existe, mas que também representa uma convenção, que é contínuo e irreversível e que pode ser determinado tanto pelos fenômenos da natureza, quanto pelos aspectos psicológicos da sua percepção pelos seres humanos, quanto ainda pela sua própria natureza, como um ente físico. A maioria dos estudantes também acredita que ele sempre tenha existido e, como grupo, se dividem quanto ao fato dele poder existir separadamente ou apenas em conjunto com o espaço. Também são divididas as opiniões a respeito da possibilidade de haver dilatação ou contração do tempo. Uma proporção minoritária, mas significativa, dos estudantes de Física acredita que o tempo não existe. Os estudantes de Filosofia são os que mais pensam o tempo como sendo cíclico. Os conceitos mais fortemente relatados pelos estudantes são o tempo como convenção e como a passagem das coisas. Os conceitos de um tempo-relógio, de um tempo referencial, de um tempo como ente autônomo, de um tempo que é psicologicamente relativo e de um tempo que está associado à vida também são bastante relacionados. Os conceitos menos presentes na manifestação dos estudantes foram aqueles ligados à transcendência do tempo, ao chamado tempo-clima, ao tempo como grandeza fundamental, ao tempo como quarta dimensão e também a idéia de que o tempo não existe. O conceito de tempo dos estudantes se assemelha ao newtoniano, porém incorpora também elementos que seriam mais caracteristicamente atribuído à Espinoza, Kant ou Bergson. Embora, de certa forma, o tempo possa ser considerado intangível, o conceito que os estudantes dele fazem não é inatingível, pode ser conhecido. Neste sentido, são necessários mais estudos.
Como Citar
Ghisolfi, E. S. (2009). Sobre a Evolução Histórica do Conceito de Tempo e uma Investigação do seu Significado entre Estudantes de Diferentes Níveis de Escolaridade. Revista Da Graduação, 2(1). Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/graduacao/article/view/5007
Seção
Ciências Exatas