Lacunas, mapas e percepção: o que os leitores de hipertextos (não) fazem

  • J. Yellowlees Douglas
Palavras-chave: Narrativas no meio impresso, Narrativas hipertextuais, Prática de leitura

Resumo

Privilegiando a sequência linear de começo meio e fim, a narrativa impressa motiva o leitor a recuperar, no processo de leitura, uma coerência narrativa única e total regida por relações de causas e efeitos, enfatizando continuidades e ignorando ou minimizando a importância de descontinuidades. É diversa a situação das narrativas em hipertexto, que privilegiam roteiros alternativos de leitura alternativos e por vezes contraditórios. Experimentos realizados com alunos em sala de aula (que consistiram em solicitar a grupos de alunos que, desconhecendo o texto original, montassem uma narrativa a partir de um conto recortado em quarenta e, em outra situação, que comparassem experiências de leitura obtidas no contraste entre um conto de Borges, “O jardim dos caminhos que se bifurcam”, e uma adaptação eletrônica feita por Stuart Moulthrop) sugerem que narrativas hipertextuais tendem a motivar, aos poucos, o aparecimento de um tipo de leitor “voltado para fora” e atento à possibilidades de construção de novos hábitos de leitura, em contraste com leitores “voltados para dentro”, que insistem em obedecer os esquemas de construção de enredos lineares de acordo com os constrangimentos das narrativas em meio impresso.

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Como Citar
Douglas, J. Y. (2010). Lacunas, mapas e percepção: o que os leitores de hipertextos (não) fazem. Letras De Hoje, 45(2). Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/view/7524
Seção
Hipertexto, Literatura, Ensino