O hiato no português: a tese da conspiração

  • Marisandra Costa Rodrigues

Resumo

Por que o hiato aparece na forma subjacente e é evitado na forma de superfície? Que forças estão em conflito? Existe alguma conspiração para que tal estrutura não emerja? De que maneira a Teoria da Otimalidade (OT) consegue dar conta dessa questão? Os encontros vocálicos do português têm se tornado tema de muita discussão e, apesar disso, ainda existem muitas questões a serem discutidas como, por exemplo, as acima formuladas. Este trabalho não só busca esclarecer tais questões como também: a) aprofundar a análise de um dos processos que age contra a realização dos hiatos: inserção de glide (passear >> passeio; boa >> boua); e b) mostrar que tanto a inserção de glide como os demais processos envolvidos no desfazimento dos hiatos (crase, absorção de uma vogal por consoante de mesma natureza e o desenvolvimento de [ñ]) estão em atividade desde o Português Arcaico. Quanto à análise otimalista propriamente dita, as seguintes conclusões são apresentadas: 1) a OT é apropriada para a análise proposta, uma vez que, com foco em outputs, consegue abordar de modo mais satisfatório os vários processos que têm em comum mesmo alvo: o desfazimento do hiato, o que possibilita mostrar que a língua vem conspirando contra tal estrutura; 2) com o passar do tempo, a produtividade dos hiatos muda e MARCAÇÃO domina FIDELIDADE; 3) no caso da inserção de glide, processo enfatizado neste artigo, os principais restritores atuantes são: ONSET, DEP-IO, WTS, OCP e HARMONY; 4) a hierarquia proposta para a primeira fase de formação da língua é diferente da hierarquia proposta para o português brasileiro atual. Palavras-chave – input; output; Teoria da Otimalidade (OT); hiato.

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Como Citar
Rodrigues, M. C. (2008). O hiato no português: a tese da conspiração. Letras De Hoje, 42(3). Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/view/2785
Seção
Artigos