Hospitalização e taxas de mortalidade por diarreia no Brasil: 2000-2015

Palavras-chave: epidemiologia, diarreia, mortalidade, hospitalização.

Resumo

Introdução: A diarreia é um dos sinais mais antigos já descritos, atinge todas as faixas etárias, ricos e pobres, países desenvolvidos e em desenvolvimento apresentando significante relação com a pobreza. Está relacionada à elevada morbidade e mortalidade, sendo o seu manejo fundamental para melhora de indicadores sociais. Objetivo: O presente estudo analisou a evolução das taxas de hospitalização e as taxas de mortalidade por diarreia no Brasil durante os anos de 2000 a 2015. Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo de agregado temporal, retrospectivo e descritivo de 15 anos (2000 a 2015), utilizando as taxas de mortalidade e de internação hospitalar de diarreia nos 26 estados federais e no Distrito Federal. Os dados foram extraídos do DATASUS e IBGE. Resultados: No período analisado observou-se mais de 3,4 milhões de casos de internações hospitalares por diarreia e 72 mil mortes no território brasileiro. A taxa média de internação foi de 112/100 mil habitantes (IC95%, 100-123). As maiores taxas de mortalidade foram em pacientes acima de 80 anos, com 49/100 mil habitantes (IC95%, 47-52). Observou-se ao longo dos anos uma melhora nos índices pediátricos, porém foi notado aumento da mortalidade e internação hospitalar em estados do Nordeste na população idosa. Conclusão: O Brasil apresentou melhora nos índices de internação e mortalidade por doença diarreica em um contexto geral, possivelmente devido a melhora da infraestrutura social e do tratamento hospitalar, no entanto, cuidados com a população idosa ainda merecem atenção especial principalmente no Nordeste. Contudo, investimentos ainda devem ser feitos para consolidar esse cenário.

Biografia do Autor

Victor Antônio Kuiava, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil.

Acadêmico do Curso de Medicina, Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil.

Ana Thereza Perin, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil.

Acadêmica do Curso de Medicina, Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil.

Eduardo Ottobelli Chielle, Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), São Miguel do Oeste, SC, Brasil.

Farmacêutico. Doutorado em Ciências Farmacêuticas, Departamento de Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), São Miguel do Oeste, SC, Brasil.

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Publicado
2019-08-02
Seção
Artigos Originais