Qualidade do sono em pacientes com apneia obstrutiva após cinco anos de uso de CPAP

  • Fabiana Lindemann Colvar Silveira Universidade Católica de Pelotas
  • Gustavo Dias Ferreira Universidade Federal de Pelotas
  • Rafael Bueno Orcy Universidade Federal de Pelotas
Palavras-chave: ventilação não invasiva – cpap, síndromes da apneia do sono, fisioterapia.

Resumo

Introdução: A Síndrome da Apneia/Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) é caracterizada pela obstrução recorrente das vias aéreas superiores durante o sono. O tratamento de escolha é a aplicação de pressão positiva continua nas
vias aéreas (CPAP) por máscara nasal. Apesar de extremamente efetivo, a adesão ao CPAP é variável, pois o fluxo contínuo de ar nas vias aéreas pode ocasionar desconforto, e muitas vezes resultar na interrupção do tratamento.

Objetivos: Comparar se há melhora do estado de sonolência diurna, da qualidade do sono, da composição corporal e do risco para apneia após cinco anos da utilização de CPAP.

Materiais e Métodos: Estudo longitudinal, com acompanhamento de 11 pacientes (9 homens, idade média de 63,73±9,1), com observações prévias ao uso do CPAP e após utilizarem durante cinco anos. Foram avaliadas a sonolência diurna (escala de Epworth), a qualidade do sono (escala visual), além de variáveis antopométricas, e da escala de Berlin (verificar maior risco de apneia). Dados foram analisados pelos testes t pareado e Wilcoxon.

Resultados: A análise da escala de Epworth mostrou uma diminuição do nível de sonolência diurna, assim como houve melhora no relato da qualidade do sono, no entanto variáveis antropométricas e o risco de apneia foram semelhantes após cinco anos de tratamento.

Conclusões: O uso do CPAP por um período contínuo é uma intervenção que melhora a qualidade de sono e níveis de sonolência diurna e, apesar de não interferir na massa corporal, pode ser uma estratégia importante na vida de pacientes com apneia do sono.

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Publicado
2017-10-19
Seção
Artigos Originais