O Cariri visto de baixo
Movimentos camponeses em tempo de seca, fome, epidemia e recrutamento no Primeiro Reinado
DOI:
https://doi.org/10.15448/2178-3748.2020.2.37785Palabras clave:
História do Brasil, Seca, Epidemia, Movimentos camponesesResumen
Este artigo estuda as ações e experiências da população camponesa do Cariri Cearense, chamada cabra, destacando que elas devem ser encaradas como movimento de reação racional de uma população fragilizada, em um ambiente frequentemente hostil pela ocorrência de secas prolongadas e a epidemia de varíola frente à luta pelo acesso à terra e a melhores condições de vida. Visto de baixo, o Cariri de terras verdes e férteis pela presença de canaviais e da Serra do Araripe, se tornou um ambiente árido na perspectiva dos camponeses. A seca dos anos de 1825, 1826 e 1827, seguida pela fome e pela epidemia de varíola, e o recrutamento para a guerra da Cisplatina, em 1828, atingiu em cheio as populações camponesas da região, cuja reação política foi expressa na adesão à Revolta do Pinto Madeira. Nesse processo, a reação dos camponeses foi usada pela elite senhorial para destacá-los como grupos perigosos, fanáticos, anárquicos.
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