Judith Butler

Um formidável “erro” de tradução (segunda parte)

Palavras-chave: Políticas da tradução, Judith Butler, Nacionalismo, Responsabilidade

Resumo

 

O presente artigo debruça-se sobre a tradução argentina do livro Who Sings the Nation-State? de Butler e Spivak. Colocando em questão a relação entre tradução e hino nacional para sublinhar o possível nacionalismo atinente a determinadas manifestações políticas, esse mesmo livro, não obstante a sua própria advertência sobre a necessidade de incli-nação para cantar o hino, “erra” a grafia de “Il [sic] pueblo unido jamás sera [sic] vencido” ao citá-lo. Entretanto, será esse o caso de um “erro” deliberado, de uma contradição performativa? Com que incli-nação Butler terá citado essa canção? E o que poderia significar o fato de que, havendo suspeita de nacionalismo de um lado, de outro parece não haver, pois o tradutor da edição argentina “corrige” esses erros e, ao mesmo tempo, testemunha, em nota de rodapé, que estão “En español en el original”? Analisando esses impasses da tradução, o artigo pretende indicar a contundência política que há na tarefa do tradutor e nas formas com que a literatura infringe as gramáticas.

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Biografia do Autor

Jerônimo Milone, École Normale Supérieure de Paris (ENS), Paris, França.

Docteur en philosophie à l’École Normale Supérieure de Paris (ENS), em Paris, França.

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Publicado
2020-12-31
Como Citar
Milone, J. (2020). Judith Butler: Um formidável “erro” de tradução (segunda parte). Veritas (Porto Alegre), 65(3), e38662. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.3.38662
Seção
Varia