Memória, ética e estética: algumas considerações a partir de Adorno, Levinas e Gur-Ze’ev

Palavras-chave: História, memória, ética, estética, Eros.

Resumo

A reflexão parte da tarefa que Benjamin atribui aos que estão vivos: originar um verdadeiro “estado de exceção”. Compreende-se que essa é a tarefa primeira de uma Educação Histórica ética e estética. O artigo está organizado em três partes que compreendem os três elementos indissociáveis que constituem os primeiros movimentos no sentido de superar o “estado de Exceção” da violência sem memória. Na primeira parte, discutimos, a partir de Adorno, o “estado de exceção” da violência sem memória e reafirmamos o dever de memória que se opõe a barbárie. Na segunda parte, comentamos, seguindo Levinas, a ética da responsabilidade. Na terceira, analisamos a estética do Eros contraeducativo de Gur-Ze’ev. Conclui-se que a postura de um pensar histórico ético e estético perpassa a recusa de esquecer e o desenvolvimento de uma atitude crítica para consigo mesmo, para com o Outro, e finalmente para com a realidade. 

 

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Biografia do Autor

Bruno Antonio Picoli, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó, SC.

Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em Porto Alegre, RS, Brasil. Professor na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em Chapecó, SC.

Alexandre Anselmo Guilherme, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Porto Alegre, RS.

Doutor em Filosofia pela Durham University, Inglaterra. Professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em Porto Alegre, RS.

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Publicado
2020-07-27
Como Citar
Picoli, B. A., & Guilherme, A. A. (2020). Memória, ética e estética: algumas considerações a partir de Adorno, Levinas e Gur-Ze’ev. Veritas (Porto Alegre), 65(2), e37851. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.2.37851
Seção
Artigos