Representações mentais ou neurais: justificando a terminologia utilizada na neurociência cognitiva

Palavras-chave: representação neural, representação mental, neurociência cognitiva, Wittgenstein

Resumo

Neste artigo, investigamos se um dos usos mais comuns do conceito de representação é justificável, sugerindo as condições sob as quais ele pode ser aceito e como pode ser relacionado aos estados mentais. Apresentamos estados mentais em termos de experiências privadas e eventos públicos. Argumentamos que uma representação é uma relação que envolve três elementos principais, bem como o usuário da representação, e defendemos que as condições nas quais podemos conceber a atividade neural como representativa são definidas pelo contexto da observação de uma correlação entre eventos públicos e padrões de atividade neural. Nosso objetivo é demonstrar que a atividade neural pode ser vista como representacional e não representacional - mas constitutiva - dependendo se estamos considerando eventos públicos sob a perspectiva do observador, ou se estamos considerando experiências privadas sob a perspectiva subjetiva.

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Biografia do Autor

Fabiana Mesquita Carvalho, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo.

Post-Doctoral Researcher — University of Sao Paulo — FFLCH, USP.

Nara M. Figueiredo, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP.

Post-Doctoral Researcher - University of Campinas. UNICAMP. This is my current affiliation. This work was developed while Dr. Fabiana and I were both researchers in the philosophy department of the University of São Paulo - USP, under the supervision of Prof. Osvaldo Pessoa. We would like to thank the department and the fundamental support of Prof. Osvaldo.

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Publicado
2020-07-15
Como Citar
Carvalho, F. M., & Figueiredo, N. M. (2020). Representações mentais ou neurais: justificando a terminologia utilizada na neurociência cognitiva. Veritas (Porto Alegre), 65(2), e35387. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.2.35387
Seção
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