Processo de criação como práticas geradas por complexas redes em construção

Palavras-chave: Processo de criação, Redes da criação, Crítica de processo, Semiótica, Complexidade

Resumo

O propósito deste artigo é fazer algumas reflexões sobre processos criativos, assumindo-se que devemos partir de uma conceituação de criação. Será apresentado o conceito de criação que sustenta os debates sobre criatividade como conjunto de práticas criativas. A discussão se dá no contexto de pesquisas sobre processos de criação, iniciadas nos anos de 1990 no Grupo de Pesquisa em Processos de Criação (PUC-SP), que discutem os registros dos agentes criativos. Será feito o relato do percurso de construção do conceito de criação como rede em construção. Primeiramente, será apresentada a leitura semiótica da criação como processo sígnico, no contexto do pensamento do filósofo Charles S. Peirce. Em seguida, será discutido o adensamento desta conceituação em diálogo com o conceito de rede de Pierre Musso (2004) e o pensamento da complexidade de Edgar Morin (1998). Ao final. será apresentado o conceito de criação que sustenta a crítica dos processos de criação. Tal conceituação parece ser relevante para a discussão da criatividade e de quaisquer produções, que seriam ações geradas pelas complexas redes aqui abordadas.

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Biografia do Autor

Cecilia Almeida Salles, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil

Doutora em Linguística Aplicada e Estudos de Línguas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em São Paulo, SP, Brasil. Professora titular dos Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica e de Literatura e Crítica Literária da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), em São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado
2021-12-28
Seção
Temathis (Dossiê temático)