Visões sobre o processo de escrita

Entre o caos e a criação

Palavras-chave: Escrita Criativa, Criação literária, Processo criativo, Filosofia, Caos

Resumo

Este artigo propõe analisar os processos criativos por um viés interdisciplinar, investigando sobretudo o papel do caos na criação (de modo geral) e na escrita (especificamente). A hipótese de trabalho desenvolvida é a de que os atos de criação resultam de um trânsito contínuo entre a ordem e a desordem – e que, para criar, é preciso manter-se em uma zona indeterminada entre esses dois polos. O ponto de partida para tal proposição está nas reflexões de Deleuze (2006) e de Agamben (2017) sobre os atos criativos. Teorias das artes visuais (OSTROWER, 2014) e pensamentos de filosofias milenares orientais (Tao Te Ching e Rig Veda) também contribuíram para pensar a questão. Espera-se, com as reflexões aqui propostas, situar o debate acerca dos mecanismos de criação no paradigma filosófico-científico da complexidade, tal como defendido por Morin (2000), e contribuir para uma maior compreensão dos processos criativos em escrita.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carolina Zuppo Abed, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, SP, Brasil. Professora do Instituto Vera Cruz e do Centro Universitário São Camilo, ambos em São Paulo, SP, Brasil.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. What is the Act of Creation? In: AGAMBEN, Giorgio. The Fire and the Tale. Tradução de Lorenzo Chiesa. Stanford: Stanford University Press, 2017. p. 33-56.

ALENCAR, Eunice S.; FLEITH, Denise S. Criatividade: múltiplas perspectivas. Brasília: Editora UnB, 2003.

DELEUZE, Gilles. What is the Creative Act?. In: DELEUZE, Gilles. Two Regimes of Madness: Texts and Interviews 1975-1995. Tradução de Ames Hodges e Michael Taormina. Nova Iorque: Semiotext(e), 2006. p. 312-324.

GOLDBERG, Natalie. Mente selvagem: como se tornar um escritor. Tradução de Tati Moraes. Rio de Janeiro: Gryphus, 1994.

HAYLES, N. Katherine. Complex Dynamics in Literature and Science. In: HAYLES, N. Katherine (org.). Chaos and Order: Complex Dynamics in Literature and Science. Chicago: The University of Chicago Press, 1991. p. 1-33.

JAMISON, Stephanie; BRERETON, Joel. The Rigveda: The Earliest Religious Poetry of India. Nova Iorque: Oxford University Press, 2014. 3 v.

LISPECTOR, Clarice. O milagre das folhas. In: SANTOS, Joaquim F. (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 186-187.

MITHEN, Steven. A pré-história da mente: uma busca das origens da arte, da religião e da ciência. Tradução de Laura Cardelini Barbosa de Oliveira. São Paulo: Editora UNESP, 2003.

MORIN, Edgar; LE MOIGNE, Jean-Louis. A inteligência da complexidade. Tradução de Nurimar Maria Falci. São Paulo: Peirópolis, 2000.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 2014.

PRIGOGINE, Ilya. As leis do caos. Tradução de Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

Publicado
2022-05-02
Seção
Temathis (Dossiê temático)