O estranho na escrita literária de Luandino Vieira: Uma análise d’O livro dos rios

Palavras-chave: Águas. Linguagem. Memória. Estranho. Trauma. Guerra

Resumo

O presente artigo refere-se a obra O livro dos Rios, do escritor angolano José Luandino Vieira, publicada no ano de 2006. O romance conta a estória de Kapapa, tornado Kene Vua durante a guerrilha e que volta a ser Kapapa. O narrador personagem conta suas memórias de traumas e guerra de sua infância à vida adulta, através do curso das águas dos rios angolanos, que se tornam personagens secundários da estória. Além disso, as memórias individuas da personagem se entrelaçam às memórias coletivas do seu país. O modo de contar do narrador, através da metáfora das águas e da linguagem recriada, enquadra a narrativa do romance na estética do estranho proposto por Sigmund Freud, em sua obra O Estranho, ao referir-se a uma nova maneira de pensar a estética. As águas participam da narração do romance. O narrador personagem mistura línguas e usa de neologismos para contar sobre a experiência do indizível da guerra e da violência. A pesquisa propõe analisar os elementos no âmbito do estranho presentes na obra O livro dos rios, estudando a narrativa e a forma de conta do narrador.

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Biografia do Autor

Junia Paula Saraiva Silva, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Belo Horizonte, MG.

Doutoranda em Literaturas de Língua Portuguesa pelo Programa de Pós-Graduação da PUC-MG como bolsista CNPQ.

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Publicado
2020-07-16
Seção
Libera