Exposição à violência conjugal na infância e perpetuação transgeracional da violência

Revisão sistemática

Palavras-chave: conflito conjugal, violência na família, família de origem

Resumo

O objetivo deste estudo foi investigar as repercussões da exposição à violência conjugal na infância na perpetuação transgeracional da violência, com base em uma revisão sistemática da literatura. Foram considerados artigos empíricos disponíveis em bases de dados eletrônicas e publicados entre 2009 e 2021. Os estudos selecionados foram analisados qualitativamente, a partir das categorias temáticas: caracterização das amostras; características metodológicas; tipos de violência conjugal que embasam os estudos; e, repercussões da exposição à violência conjugal na infância na perpetuação transgeracional da violência. Compreendeu-se que os modelos aprendidos nas relações vivenciadas na família de origem e a exposição à violência conjugal durante a infância aparecem como fatores relevantes para a manutenção de uma relação conjugal violenta, reforçando a probabilidade de perpetuação transgeracional da violência. Os resultados encontrados demonstram a necessidade de um olhar cuidadoso de profissionais da área da saúde na tentativa de se pensar intervenções para romper o ciclo transgeracional.

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Biografia do Autor

Laís Cembrani Mosena, Capacitar Centro Educacional, Novo Hamburgo, RS, Brasil.

Psicóloga graduada pela FSG Centro Universitário em Caxias do Sul, RS, Brasil. Especialização em andamento em Neuropsicologia pela Capacitar Centro Educacional em Novo Hamburgo, RS, Brasil.

Tatiele Jacques Bossi, Faculdade do CEFI (FACEFI), Porto Alegre, RS, Brasil.

Doutora, com pós-doutorado, e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil. Professora do Curso de Psicologia da Faculdade do CEFI (FACEFI), em Porto Alegre, RS, Brasil. 

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Publicado
2022-09-21
Como Citar
Mosena, L. C., & Bossi, T. J. (2022). Exposição à violência conjugal na infância e perpetuação transgeracional da violência: Revisão sistemática. Psico, 53(1), e39088. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2022.1.39088