Internação compulsória e consumo de crack

Uma reflexão a partir do olhar dos profissionais de saúde mental

Palavras-chave: Internação Compulsória, Saúde Mental, Representações Sociais, Consumo de drogas.

Resumo

Esse artigo tem como objetivo refletir e compreender a prática da internação compulsória de pessoas que consomem crack, mediante o olhar de profissionais de saúde mental ligados a uma Coordenadoria Regional de Saúde, localizada no Rio Grande do Sul, Brasil. A pesquisa tem um delineamento qualitativo-participante. Além da participação no cotidiano da instituição, foram utilizados o diário de campo e a análise documental. Os resultados indicam que a internação compulsória é uma estratégia amplamente utilizada, embora se observem efeitos iatrogênicos em sua aplicação, reforçados pelas representações sociais do usuário de droga como “louco” ou “criminoso”. No que se refere às práticas de cuidado, observou-se que persiste o diálogo fragilizado com o sistema judiciário e que há divergências entre os serviços de saúde, o judiciário e os familiares quanto à lógica do cuidado, com poucos avanços na construção de alternativas de cuidado.

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Biografia do Autor

Tainara Oliveira Andreeti, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Psicóloga, atua em psicologia clínica (consultório particular), e em uma instituição de tratamento para mulheres com problemas pelo uso de drogas, em Santa Maria, RS, Brasil.

Adriane Roso, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Doutora em Psicologia (PUCRS), com doutorado sanduíche na Columbia University (bolsa da Fulbright). Pós doutora Harvard University, Departamento de Psicologia, com bolsa CNPq. Pós-doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Mestre em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS). Especialista em Saúde Pública (UFRGS/ FIOCRUZ/ ESP/RS) e em Gestão em Saúde (UFRGS). Professora associada (Dedicação Exclusiva) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Psicóloga.

Catiele dos Santos, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Psicóloga, atua no Projeto Redes de Aprendizagem do Núcleo de Apoio à Aprendizagem na Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED/UFSM).

Diogo Faria Corrêa da Costa, 4.ª Coordenadoria Regional de Saúde (4.ª CRS), Santa Maria, RS, Brasil.

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil. Especialista em Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Psicólogo. Doutorando do Programa de Pós-graduação em Psicologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Coordenador da Política de Saúde Mental na 4.ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS), em Santa Maria, RS, Brasil. Docente da Faculdade de Ciências da Saúde (SOBRESP), em Santa Maria, RS, Brasil.

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Publicado
2021-06-14
Como Citar
Andreeti, T. O., Roso, A., Santos, C. dos, & Corrêa da Costa, D. F. (2021). Internação compulsória e consumo de crack: Uma reflexão a partir do olhar dos profissionais de saúde mental. Psico, 52(1), e35772. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2021.1.35772
Seção
Artigos