Abertura à experiência e preferência em obras de arte figurativas e não figurativas

Palavras-chave: personalidade, cinco grandes fatores, arte

Resumo

A arte não representacional é outra maneira de aludir à arte abstrata, sendo um estilo no qual os objetos não se parecem com aqueles que se apresentam na natureza física concreta. No último século, foram realizadas investigações experimentais sobre estética e personalidade objetivando revelar fatores contribuintes para as diferenças quanto às preferências artísticas. Este estudo explorou as associações entre abertura à experiência e preferência por arte visual. Os participantes completaram a Escala Fatorial de Abertura e classificaram a preferência por quatro imagens diferentes correspondentes à arte representativa e não representativa. A análise estatística dos dados revelou uma correlação positiva entre o fator Fantasia e a apreciação pelas pinturas abstratas (r =.20). Não foi verificada uma correlação estatisticamente significativa entre essa dimensão e a apreciação de pinturas figurativas. Embora esses achados sejam exploratórios, outras medidas mais completas relacionadas às diferenças individuais e preferências artísticas poderão ser utilizadas em novos estudos no Brasil.

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Biografia do Autor

Silvio José Lemos Vasconcellos, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil. Psicólogo. Professor Adjunto III da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia dessa universidade.

Márcia Elisa Jager, Universidade Franciscana (UFN), Santa Maria, RS, Brasil.

Mestre em Psicologia pelo PPGP da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Graduada em Psicologia pela Universidade Franciscana (UFN). Licenciada para a educação profissional e tecnológica pelo curso de Formação de Professores para a Educação Profissional e Tecnológica da UFSM. Doutoranda em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (PPGP/UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil.

Thiago Ferreira Mucenecki, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Santiago, RS, Brasil.

Mestre em Psicologia da Saúde Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Franciscano. Especialista em Neuropsicologia pela PROJECTO-Centro Cultural e de Formação. Professor da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI - Santiago), RS, Brasil.

Vanessa Cristina Nascimento Coelho, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil; pós-graduanda em Psicologia Jurídica e Avaliação Psicológica. Psicóloga pela instituição Universidade Luterana do Brasil, campus Santa Maria, RS, Brasil.

Natália Crestani Dvoranovski, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Santiago, RS, Brasil.

Graduada em Psicologia pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Santiago, RS, Brasil. Atuante na prática clínica. Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, com experiência em aplicação de testes psicológicos nas áreas de Neuropsicologia e orientação profissional. 

Bruna Fragoso Rodrigues, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil. Psicóloga Residente com Ênfase em Saúde do Adulto em Doenças Crônico Degenerativas no Hospital Universitário de Santa Maria, no Curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

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Publicado
2022-05-02
Como Citar
Vasconcellos, S. J. L., Jager, M. E., Mucenecki, T. F., Coelho, V. C. N., Dvoranovski, N. C., & Rodrigues, B. F. (2022). Abertura à experiência e preferência em obras de arte figurativas e não figurativas. Psico, 53(1), e34769. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2022.1.34769