Avaliação psicológica de pacientes após a alta da unidade de terapia intensiva

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva, Cuidados Críticos, Transtornos mentais, Memória, Psicologia.

Resumo

A maioria dos pacientes sobrevive ao episódio de doença crítica, contudo, muitos deles podem desenvolver alterações psicológicas após a alta desta unidade. Dada a natureza dos cuidados intensivos e as condições clínicas da maioria dos pacientes esta pesquisa tem como objetivo descrever os resultados da avaliação psicológica de pacientes três meses após a alta dos cuidados críticos. Foram avaliados 160 pacientes, no entanto, devido ao comprometimento neurológico apenas 137 conseguiram responder à avaliação psicológica. Os instrumentos utilizados foram: Planilha para coleta de dados do prontuário, instrumento de avaliação de memórias de UTI, Impact of Event Scale-Revised (IES-R) e Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS). Os resultados revelaram que a identificação precoce das complicações inerentes ao tratamento crítico poderá trazer benefícios para a prevenção de alterações emocionais/físicas crônicas subsequentes.

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Biografia do Autor

Cristiane Rodrigues Lopes, Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), Cascavel, PR.

Graduada em Psicologia pela Universidade Paranaense (UNIPAR, Cascavel, PR, Brasil). Atualmente é psicóloga residente do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Lukas Borges Iepsen, Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Pelotas, RS.

Graduando em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e cientista de dados na Elixir AI.

Jaquilene Barreto da Costa, Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), Cascavel, PR.

Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), psicóloga efetiva do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, professora do curso de residência em fisioterapia intensiva pela UNIOESTE, Cascavel-PR.

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Publicado
2020-02-12
Como Citar
Lopes, C. R., Iepsen, L. B., & da Costa, J. B. (2020). Avaliação psicológica de pacientes após a alta da unidade de terapia intensiva. Psico, 51(2), e33640. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2020.2.33640
Seção
Artigos