Estudos de cultura material: sobre coisas e substâncias na Arqueologia

Palavras-chave: Arqueologia Fenomenológica. Arqueologia Semiótica. Cultura Material. Substâncias.

Resumo

Este ensaio espera tratar das qualidades da cultura material e das substâncias, as comunicativas e as expressivas, independentemente de qualquer limite cronológico e através de um diálogo interdisciplinar com arqueólogos, antropólogos, historiadores, sociólogos, economistas, psicólogos e filósofos. Minha expectativa para este texto é de incorporar ao estudo de cultura material as interferências das coisas, bem como das substâncias, no registro e nas práticas arqueológicas. Alguns estudos de cultura material valorizam o significado das coisas e das substâncias e partem da ideia de que esses podem ser percebidos e vistos como signos que auxiliam seus donos e usuários nos processos comunicativos, e na formação de identidades. Acredito que perceber esses processos como uma rede dinâmica de inter-relações ajudará a estabelecer conexões fenomenológicas precisas e participativas com os demais membros da sociedade, além de entender melhor as relações simétricas entre pessoas, coisas e substâncias.

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Biografia do Autor

Klaus Hilbert, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS

Doutor em História pela Philipps Universität Marburg (Marburg, Hesse, Alemanha). Docente no Programa de Pós-Graduação em História PUCRS (Porto Alegre, RS, Brasil).

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Publicado
2020-06-13
Como Citar
Hilbert, K. (2020). Estudos de cultura material: sobre coisas e substâncias na Arqueologia. Oficina Do Historiador, 13(1), e36502. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2020.1.36502
Seção
Dossiê