PROPOSTA DOSSIÊ REVISTA OFICINA DO HISTORIADOR

2020-12-01

Atlânticas: Encontros entre Mulheres Africanas e da Diáspora Negra Brasileira

Organizadoras do Dossiê:

  • Alessandra dos Santos da Silva (Mestrado Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

História pública, Cinema Negro, Trajetória de mulheres negras, Maria Beatriz Nascimento

  • Drª Gabriela de Lima Grecco (Universidad Autónoma de Madrid).

Feminismos, Estudos de Gênero, Escritoras, Intelectuais.

  • Iliriana Fontoura Rodrigues (Mestranda PPCult Universidade Federal Fluminense). Cultura visual. Pós-abolição.
  • Marizol González Romero (Candidata ao Doutorado em História Contemporânea da Universidad Autónoma de Madrid).

Mulher colonizada. Estudos de Gênero. Dissidências sexuais.

 

        Esta proposta de chamada de artigos para elaboração do Dossiê da Revista Oficina do Historiador parte da referência e reverência à historiadora negra brasileira Maria Beatriz Nascimento (1942 - 1995). A intelectualidade produzida por Beatriz é ponto de partida para as confluências e conexões buscadas neste dossiê com o Continente Africano, em cujas terras a historiadora se fez presente corporal e mentalmente e dela produziu uma de suas obras referenciais, o filme Ôrí. Com texto e narração de Beatriz e direção de Raquel Gerber, Ôrí documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, entre esses, organizações carnavalescas e bailes Black, passando pela relação entre Brasil e África, tendo o quilombo como ideia central e apresentando, dentre seus fios condutores, parte da história pessoal de Beatriz, com narrações da mesma (RATTS, 2007, p.28).  É de fundamental importância que no contexto de uma Revista enfocada na disciplina da História coloquemos em primeiro plano uma grande teórica do Pensamento Negro Brasileiro e diaspórico cuja produção foi invisibilizada pelo racismo e pela branquitude acadêmica colonial. Que os textos de além mares e terras africanas que se encontrarão com os textos da Diáspora Negra sejam abraçados pelas negras ideias de Beatriz. Façamos através e a partir de nós, cujo pensamento é prática e teoria, Atlânticas.

            A historiadora durante sua caminhada acadêmica, de militância, de pessoa que se identificou enquanto mulher negra e percebeu o racismo presente na sociedade, inclusive na historiografia, questionou e criticou esta historiografia, principalmente a respeito do que se debatia sobre Quilombos. Este é um dos temas sobre os quais Beatriz mais se dedicou entre as décadas de 70 e 90 no intuito de quebrar alguns paradigmas e ideias a respeito do conceito de Quilombo, de como estes são classificados e datados na história.   Desta forma, este Dossiê se propõe a dialogar com artigos e pesquisas que abordem comunidades quilombolas, biografias, trajetórias individuais e coletivas de organizações de Mulheres Negras e de movimentos de base. Neste sentido, abordagens referentes a teorias e epistemologias do pensamento de mulheres negras, do feminismo negro, do mulherismo e de demais contribuições na construção de estudos sobre gênero, raça e classe são bem-vindas.

Prazo de submissão: 23/05/2021