Discursos político-religiosos como armas de guerra: heteroterrorismo em ação contra sexualidades dissidentes

Palavras-chave: Discursos político-religiosos, Interpelação, Heteroterrorismo

Resumo

Discursos político-religiosos estão implicados na construção de corpos e subjetividades generificadas. Organizando-se como uma arma de guerra, entrelaçam crenças e posicionamentos políticos, impõem padrões de normalidade, enfatizam ou desprezam determinadas condutas, reiterando discursos que seguem a heteronorma. Com vistas à construção de sujeitos e subjetividades normativizados – binários e dimórficos –, tratam o outro como abjeto, uma estratégia prático-discursiva que inferioriza aquele que se quer excluir do humano. Estigmatizando características corporais e psíquicas, legam aos sujeitos desviantes, ares de animalidade e de aberração. Defendemos neste artigo que tal interpelação discursiva emanada por discursos político-religiosos que atuam como armas de guerra, regula desejos, produz privações, punições e inscreve os dissidentes sexuais em uma alteridade cativa e repreendida, sob o signo de um “heteroterrorismo” (BENTO, 2017). Apoiamos nossa argumentação, especialmente em Roland Barthes (2004), Jacques Derrida (2001), Judith Butler (2017), Michel Foucault (2012) e Berenice Bento (2017).

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Biografia do Autor

Alexandre de Oliveira Fernandes, Instituto Federal de Educação da Bahia (IFBA), Porto Seguro, BA

Doutor em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Professor do Instituto Federal de Educação da Bahia (IFBA/Porto Seguro). Professor permanente no Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade – PPGREC/UESB/Jequié. Professor Permanente no Programa de Pós-Graduação em Ensino e Educação das Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB.

Luciano Fernandes de Souza, Secretaria de Educação de Porto Seguro (SECPS), Porto Seguro, BA

Especialista em Políticas Públicas e Contextos Educativos pelas Faculdades Nossa Senhora de Lourdes (FNSL/Porto Seguro, BA, Brasil). Mestre em Educação pela Universidade Lusófona de Portugal (ULHT, Lisboa, Portugal). Defendeu dissertação intitulada, “Consentida, ensinada, resistida: discursos de egressos não heteronormativos sobre a homofobia na escola”.

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Publicado
2020-02-26
Como Citar
Fernandes, A. de O., & de Souza, L. F. (2020). Discursos político-religiosos como armas de guerra: heteroterrorismo em ação contra sexualidades dissidentes. Letrônica, 13(2), e36176. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.2.36176