Uma Literatura Viva em reflexões metafísicas maldispostas

Presença e crítica do Modernismo em “Cântico Negro” de José Régio e “Tabacaria” de Álvaro de Campos

Palavras-chave: Cântico Negro, Tabacaria, José Régio, Álvaro de Campos, Metafísica

Resumo

Nos desenvolvimentos intelectuais e culturais humanos, todas as propostas de ampla iconoclastia racional redundam em outras formas de sistematização, as quais necessariamente utilizam-se de crenças, dogmas, credos e ritos. Tais experiências são revividas nas leituras de Cântico Negro e de Tabacaria, em que a enunciação poética adentra as bases de sustentação da racionalidade e dos modos de expressão do conhecimento humano mediante as variadas formas tradicionais de sustentabilidade do entendimento. Em José Régio, as transformações nas compreensões a respeito do real, a partir das experiências humanas particulares, integram classicismo e modernismo em pujantes articulações na instauração de uma Literatura Viva; em Álvaro de Campos, discípulo de Alberto Caeiro, o contínuo despertar de sonos dogmáticos não propicia ao humano acordar de suas quimeras, mas insere-o em perenes ilusões criadas pelas articulações dos sentidos e do pensamento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jean Felipe de Assis, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Doutor em Filosofia e História das Ciências (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Culture as práxis. London: Routledge & Kegan Paul, 2000.

CALVINO, Italo. Perché Leggere i Classici. Milano: Mondadori, 2010.

FARIA, Ernesto. Dicionário Escolar Latino-Português. Rio de Janeiro: Campanha Nacional de Material de Ensino, 1962.

KOLBAS, Dean. Critical Theory and the Literary Canon. Oxford: Westview Press, 2001.

LISBOA, Eugenio. José Régio: a Obra e o homem. Lisboa: Editora Arcádia, 1976.

MASSAUD, Moisés. A Literatura Portuguesa. São Paulo, Editora Cultrix, 1972.

MASSAUD, Moisés. Fernando Pessoa: O espelho e a Esfinge. São Paulo: Cultrix, 2015.

NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Lisboa: Guimarães Editores, 2000.

NIETZSCHE, Friedrich. Die Fröhliche Wissenschaft. Hamburg: Felix Meiner Verlag, 2013.

PESSOA, Fernando. Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.

PLATÃO. República. Lisboa: Calouste Gulbekian, 2014.

RÉGIO, José. Antologia: Seleção e Organização de Cleonice Berardinelli. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

RÉGIO, José. Classicismo e Modernismo. In: Páginas de doutrina e Crítica da “presença”. Obras Completas. Porto: Brasília Editora, 1977, p. 21-24.

RÉGIO, José. Da Geração Modernista. In: Páginas de doutrina e Crítica da “presença”. Obras Completas. Porto: Brasília Editora, 1977. p. 25-30.

RÉGIO, José. Literatura Viva. In: Páginas de doutrina e Crítica da “presença”. Obras Completas. Porto: Brasília Editora, 1977. p. 17-20.

ROSMAN, Abraham et al. The Tapestry of Culture: An Introduction to Cultural Anthropology. Lanham: Altamira: Press, 2009.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Carta a Christophe de Beaumont e outros escritos sobre a religião e a moral. São Paulo: Estação Liberdade, 2005.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Ouvres completes IV. Paris: Gallimard, 1969.

SISCAR, Marcos. O Tombeau das Vanguardas: A “Pluralização das Poéticas Possíveis” como Paradigma Crítico Contemporâneo. Rio de Janeiro: ALEA v.16, n. 2, p. 421-443, 2014.

WITTGENSTEIN. Ludwig. O livro Azul. Lisboa: Edições 70, 2008.

WITTGENSTEIN. Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. London: Kegan Paul, 1922.

WITTGENSTEIN. Ludwig. Über Gewissheit. New York: Harper Torchbook, 1972.

Publicado
2021-06-11
Como Citar
de Assis, J. F. (2021). Uma Literatura Viva em reflexões metafísicas maldispostas: Presença e crítica do Modernismo em “Cântico Negro” de José Régio e “Tabacaria” de Álvaro de Campos. Letras De Hoje, 56(1), e38942. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2021.1.38942
Seção
Seção: Temática Livre