Conhecimento linguístico do letrado acerca das expressões de futuridade

Forma perifrástica (gramática nuclear/L1) versus forma sintética (gramática periférica/L2)

Palavras-chave: Expressão de futuridade, Gramática Periférica, Gramática Nuclear, Gramática Gerativa.

Resumo

Considerando o português adquirido naturalmente como L1 e o ensinado nas escolas como L2, dados orais e escritos de: a) crianças em fase de aquisição; b) estudantes entre a 1ª a 8ª série; e c) acadêmicos; foram analisados, haja vista as expressões de futuridade: a) futuro sintético; b) “ir” + infinitivo; c) “haver + de”; e d) forma de presente. Ademais, contrastamos esses dados com peças históricas do português brasileiro (PB) entre o século XVI-XXI. Os resultados mostram que o futuro sintético não é adquirido naturalmente e, somente na escrita, quanto maior a escolaridade, maior sua frequência; a estrutura adquirida naturalmente é “ir” + infinitivo, usada tanto na oralidade, quanto na escrita, independentemente do grau de escolaridade. Verificamos também que a escola recupera somente alguns fósseis linguísticos, não todos. Propomos, pois, que a língua-I do letrado consiste na forma “ir” + infinitivo como parte da gramática nuclear e na forma sintética como parte da gramática periférica.

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Biografia do Autor

Paulo Ângelo de Araújo-Adriano, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, SP, Brasil.

Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, SP, Brasil.

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Publicado
2020-12-11
Como Citar
de Araújo-Adriano, P. Ângelo. (2020). Conhecimento linguístico do letrado acerca das expressões de futuridade: Forma perifrástica (gramática nuclear/L1) versus forma sintética (gramática periférica/L2). Letras De Hoje, 55(3), e36499. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2020.3.36499
Seção
Seção Livre