SUBMISSÃO ABERTA - DOSSIÊ LITERATURA – LITERATURA DO CONFINAMENTO: CELA, PRISÃO E ISOLAMENTO SOCIAL NA LITERATURA BRASILEIRA, LATINO-AMERICANA E EUROPEIA

2021-12-16

Período: 10/02 a 15/04/2022.

Que saber produz a cela? O enclausuramento estabelece uma relação especial com o pensamento? É possível falar em uma condição crítica a partir da prisão?

Desde a antiguidade clássica, com Sócrates à espera de ser condenado, o cárcere ou a prisão constituem ambientes de reflexão e produção de saberes. Conhecidos são os casos de Gramsci, na Itália, ou Graciliano Ramos, no Brasil, que legaram obras sobre a experiência de viver segregados. Num artigo publicado, em 2010, na Rassegna Iberistica, o professor da Universidade de Bolonha, Roberto Vecchi, chamou a tenção que “a experiência da detenção, a claustrofobia, exibe um outro ponto de vista sobre o funcionamento dos dispositivos sobre os quais se rege o estado de exceção, tomando o cárcere – na esteira do campo na reflexão de Agamben – mais um nómos da modernidade” (VECCHI, Roberto, 2010: p. 47). Espaço e tempo, espaço e poder, espaço e corpo exemplificam as possibilidades de conhecimento, reflexão ou sabedoria provocados pela cela.

A proposta deste dossiê toma por foco a literatura produzida por autores brasileiros, latino-americanos e europeus sobre a experiência do confinamento, em diferentes momentos e em diferentes gêneros. O confinamento e toda a semântica que o cerca – cela, prisão, isolamento social ou o corpo e suas restrições, claustrofobia, silenciamento – abre-se para inúmeras possibilidades de leitura, desde a antiguidade até a contemporaneidade. Nesse momento em que a humanidade está segregada ou, em melhores casos, passou pela experiência do isolamento, é oportuno retomar obras e autores que, em diferentes momentos e motivados por circunstâncias especiais, escreveram sob a condição do confinamento e merecem ser reavaliados.

Para este volume de Letras de Hoje convidamos pesquisadores (as) a refletir sobre esse tema, em diferentes gêneros e temporalidades. Para tanto, receberemos trabalhos críticos que evidenciem a situação de confinamento, isolamento, cela, prisão e similares, em romances, poemas, crônicas, autobiografias, biografias e em outros formatos possíveis de enquadramento no plano literário. Os textos devem ser inéditos e precisam ser submetidos à revista até 15 de abril de 2022, por meio do site oficial da revista Letras de Hoje: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/index

Referências:

VECCHI, Roberto. Alegorias claustrofóbicas: o pensamento confinado, a exceção e a história literária. Rassegna Iberistica, 2010, n. 91, p. 43-52.

FOUCAULT, Michel. A microfísica do poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

RAVETTI, Graciela, CURY, Maria Zilda, AVILA, Myriam. Topografias da cultura. Representação, espaço e memória. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009.

Organizadores:

Prof. Dr. Francisco Topa - Universidade do Porto - Portugal.

Profa. Dra. Maria Eunice Moreira – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Profa. Dra. Regina Kohlrausch – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.