Impacto do cronotipo na qualidade de vida de pacientes renais crônicos submetidos a tratamento hemodialítico

  • Angela Sartori Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
  • Paula Caitano Fontela Universidade Federal do Rio Grande do Sul http://orcid.org/0000-0003-0086-7037
  • Giovana Dantas Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária
  • Maria Leocadia Bernardes Amaral Padilha Hospital de Caridade de Ijuí
  • Eliane Roseli Winkelmann Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: nefropatias, diálise renal, qualidade de vida, ritmo circadiano.

Resumo

Introdução: O cronotipo tem impacto para os desempenhos cognitivo e físico, o que pode influenciar na qualidade de vida (QV) dos pacientes com doença renal crônica (DRC).
Objetivo: Avaliar o cronotipo dos pacientes com DRC em tratamento hemodialítico (THD) e analisar a QV de acordo com o cronotipo e o horário da hemodiálise.
Materiais e Métodos: Estudo transversal, analítico e descritivo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Para caracterizar o cronotipo foi aplicado o Morningness-Eveningness Questionnaire (MEQ) e para avaliar a QV a Versão Brasileira do Questionário de Qualidade de Vida – SF36 e do Questionário para Pacientes Renais Crônicos – KDQOL-SF.
Resultados: Foram incluídos 80 pacientes, 49 do sexo masculino, média de idade de 59,3±13,4 anos e tempo médio de THD de 27,5 meses. Quanto ao cronotipo, 68 (85%) foram classificados como matutinos, 12 (15%) como intermediários e nenhum vespertino. Observou-se redução significativa na QV dos pacientes com cronotipo intermediário no domínio capacidade funcional (p=0,05) do SF-36 e nos domínios efeitos da doença (p<0,01), apoio social (p=0,02) e função física (p=0,05) do KDQOL-SF. Constatou-se também, redução da QV no aspecto referente à composição física (p=0,05) do KDQOL-SF nos pacientes com cronotipo intermediário que realizavam hemodiálise às 07h00min comparado ao grupo das 10h30min.
Conclusão: A maioria dos pacientes com DRC em THD tem seu cronotipo classificado como matutino. Os pacientes matutinos, quando comparados aos intermediários possuem melhor QV.

Biografia do Autor

Angela Sartori, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Fisioterapeuta graduada pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), Ijuí, RS, Brasil.
Paula Caitano Fontela, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Fisioterapeuta graduada pela UNIJUÍ. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Pneumológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.
Giovana Dantas, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária

Bióloga. Doutora em Neurociências pela UFRGS. Docente do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, RS, Brasil.

Maria Leocadia Bernardes Amaral Padilha, Hospital de Caridade de Ijuí

Médica Nefrologista coordenadora da equipe de Transplantes Renais do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), Ijuí, RS, Brasil.

Eliane Roseli Winkelmann, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Fisioterapeuta, Doutora em Ciências da Saúde: Ciências cardiovasculares pela UFRGS; Mestre de Ciências Biológicas: Fisiologia pela UFRGS; Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória; Docente da UNIJUÍ e Chefe do Departamento de Ciências da Vida - DCVida/UNIJUI.

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Publicado
2017-07-27
Seção
Artigos Originais