Em nome de quem? A controvérsia sobre cura em Mateus 12,22-32

Palavras-chave: Evangelho de Mateus, Jesus Terapeuta, Belzebu, Possessão Demoníaca, Espírito Santo.

Resumo

O presente artigo é uma análise exegética de Mateus 12,22-32, que trata da controvérsia do poder de Jesus para curar, em que ele teria feito curas pelo poder de Belzebu, e não de Deus. O objetivo deste trabalho é analisar a controvérsia entre a comunidade de Mateus e seus acusadores sobre a autoridade de Jesus e da igreja para curar e expulsar demônios das pessoas. Além disso, iremos investigar o sentido que estas possessões tinham para a comunidade e como podem ser interpretadas hoje. Para isso faremos uso de diversas ferramentas exegéticas, algumas do método histórico-crítico, porém sob uma abordagem sócio-política. Ao fim do artigo veremos que esse texto tinha um importante papel para manter as comunidades firmes na crença de que Jesus é o Cristo de Deus, cujas curas e exorcismos tinham papel terapêutico que ainda pode ser reconhecido hoje, mediante o contexto sócio-político de opressão sob o qual os pobres viviam no império romano.

Biografia do Autor

Marcelo da Silva Carneiro, Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Doutor em Ciências da Religião (UMESP), Mestre em Teologia (PUC-RJ), Bacharel em Teologia (UNIBENNETT-RJ), pesquisador no Grupo Oracula - Estudos de Apocalíptica, Misticismo e Fenômenos Visionários (PPGCR-UMESP), professor de Novo Testamento da FATIPI, membro da SBL, associado da ABIB.

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Publicado
2019-04-16
Seção
Novo Testamento