Racismo ambiental, crise climática e desastres

passado e presente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1677-9509.2025.1.47223

Palavras-chave:

Mudanças Climáticas, Racismo Ambiental, Gestão de Riscos

Resumo

O presente ensaio teórico, derivado de uma pesquisa mais ampla sobre a gestão dos riscos de desastres nos estados do Rio Grande do Sul e do Amazonas, propõe uma análise sobre a produção e a reprodução das desigualdades socioambientais no Brasil. Utilizando o conceito de racismo ambiental como uma lente analítica, examinamos processos profundamente enraizados em estruturas coloniais que perpetuam dinâmicas de exclusão e que afetam desproporcionalmente populações negras, indígenas e outros grupos étnicos e vulnerabilizados. Procuramos problematizar a inércia do estado e a ineficácia das atuais políticas públicas diante da intensificação de eventos climáticos extremos, sublinhando que a adaptação climática deve ser incorporada a um processo de transformação estrutural mais ampla, através da redistribuição equitativa de recursos, da valorização de saberes ancestrais e da inclusão ativa de vozes historicamente silenciadas. Esperamos contribuir para o avanço do debate acadêmico sobre justiça climática e gestão de riscos, apontando direcionamentos para a formulação de políticas públicas integradas e comprometidas com a equidade social e o fortalecimento da resiliência dos espaços rurais e urbanos.

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Biografia do Autor

Cíntia Raquel Soares Pinheiro, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica, Rio de Janeiro, Brasil.

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Graduada em Turismo e Mestre em Desenvolvimento Socioeconômico pela Universidade Federal do Maranhão. Pesquisadora de temáticas relacionadas a Povos e Comunidades Tradicionais, Áreas Naturais Protegidas, Mudanças Climáticas, dentre outras.

Letícia Batista Silva, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Assistente Social. Pesquisadora em Saúde Pública Associada e Docente da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz). Também é professora adjunta da Escola de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF/Niterói). Doutora em Serviço Social pela UERJ, mestre em Serviço Social pela UFRJ, Especialização em Gestão de Serviços e Sistemas de Saúde pela ENSP/Fiocruz.

 

Maria Isabel Barros Bellini, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Assistente social, graduada, mestre e doutora em SS pela PUCRS, docente no Curso de Graduação em Serviço Social PUCRS, no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política PUCRS. Assistente social da Escola de Saúde Pública da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Pesquisadora dos temas desastres, política de saúde, intersetorialidade, entre outros.

 

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Publicado

2025-12-19

Como Citar

Soares Pinheiro, C. R., Batista Silva, L., & Barros Bellini, M. I. (2025). Racismo ambiental, crise climática e desastres: passado e presente. Textos & Contextos (Porto Alegre), 24(1), e47223. https://doi.org/10.15448/1677-9509.2025.1.47223

Edição

Seção

Artigos e Ensaios

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