Racismo ambiental, crise climática e desastres
passado e presente
DOI:
https://doi.org/10.15448/1677-9509.2025.1.47223Palavras-chave:
Mudanças Climáticas, Racismo Ambiental, Gestão de RiscosResumo
O presente ensaio teórico, derivado de uma pesquisa mais ampla sobre a gestão dos riscos de desastres nos estados do Rio Grande do Sul e do Amazonas, propõe uma análise sobre a produção e a reprodução das desigualdades socioambientais no Brasil. Utilizando o conceito de racismo ambiental como uma lente analítica, examinamos processos profundamente enraizados em estruturas coloniais que perpetuam dinâmicas de exclusão e que afetam desproporcionalmente populações negras, indígenas e outros grupos étnicos e vulnerabilizados. Procuramos problematizar a inércia do estado e a ineficácia das atuais políticas públicas diante da intensificação de eventos climáticos extremos, sublinhando que a adaptação climática deve ser incorporada a um processo de transformação estrutural mais ampla, através da redistribuição equitativa de recursos, da valorização de saberes ancestrais e da inclusão ativa de vozes historicamente silenciadas. Esperamos contribuir para o avanço do debate acadêmico sobre justiça climática e gestão de riscos, apontando direcionamentos para a formulação de políticas públicas integradas e comprometidas com a equidade social e o fortalecimento da resiliência dos espaços rurais e urbanos.
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