Velho Chico: uma jornada intelectual rumo a uma poética mestiça

Marcelo Moreira Santos

Resumo


Este artigo pretende analisar a poética audiovisual articulada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho na recente telenovela Velho Chico (2016). Compreendendo poética a partir de Bordwell (2008) que a define como um ramo de estudos do cinema voltado a manufatura audiovisual, isto é, a um entendimento sobre o processo de criação, produção e efeito. Entretanto, diferentemente de Bordwell cuja matriz conceitual gira em torno do cognitivismo, adotamos como ponto de partida as teorias sistêmicas de Edgar Morin, Mário Bunge, Ilya Prigogine e Jorge Vieira. Dessa forma, o texto centra-se, em primeiro lugar, no esclarecimento da organização sistêmica que molda a poética do audiovisual no que tange ao seu caráter colaborativo, isto é, vários agentes semióticos contribuindo na manufatura da obra, no caso a telenovela. Em segundo, é observado sua complexidade semântica com seus encontros e sincretismos sígnicos advindos de várias influências culturais e estéticas. Para em seguida, o artigo salientar que Velho Chico é, ao mesmo tempo, um ponto de chegada e um ponto de partida para círculo-evoluções sígnicas, isto é, para outros rincões sígnicos, fluindo, desaguando e se ramificando por outras vertentes, criando uma linguagem sinérgica e mestiça própria àquele universo ficcional. Por fim, o texto conclui que Velho Chico é uma jornada intelectual do diretor Luiz Fernando Carvalho na busca de um novo paradigma, uma poética audiovisual que acolha seus ideais estéticos: uno, múltiplo, complexo.


Palavras-chave


Velho Chico. Poética do Audiovisual. Análise Semiótico-Sistêmica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-3729.2019.3.33631

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ISSN-L: 1415-0549 | e-ISSN: 1980-3729


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