Epistemologia Coletiva: crença, justificação e conhecimento de grupo

Luiz Cichoski, Leonardo Ruivo

Resumo


Neste artigo iremos sistematizar os conceitos-chave da chamada epistemologia coletiva, apontando as diferentes teorias que explicam nossa prática de atribuição de estados cognitivos (tais como crença, justificação e/ou conhecimento) a grupos. Na introdução levantaremos o problema central que motiva a área, a saber: a atribuição de estados cognitivos a grupos tem como referente o grupo enquanto grupo ou os indivíduos que o compõe? Na primeira seção apresentaremos os melhores argumentos em favor do individualismo, aqueles que defendem que as atribuições se reduzem aos indivíduos. Na segunda, terceira e quarta seções apresentaremos modelos coletivistas, que defendem uma certa autonomia do grupo frente aos indivíduos, o conjunto de membros que o compõe. Na quinta e sexta seções apresentaremos como modelos coletivistas explicam a atribuição de justificação e conhecimento a grupos. Nós concluímos notando que os ataques coletivistas ao individualismo são bastante efetivos, fazendo com que essa abordagem seja difícil de sustentar, e apontando outros elementos que são necessários para a construção de um modelo coletivista completo.


Palavras-chave


epistemologia coletiva; coletivismo; individualismo; grupos; epistemologia social

Texto completo:

PDF

Referências


BORGES, R. “Defeating Objections to Group Knowledge” p. 1-18. Manuscrito não publicado.

BRATMAN, M. (ed) Faces of Intention: selected essays on intention and agency. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.

CARIANI, F. “Epistemology in group agency: six objections in search of truth” Episteme 9 (3), 2012, p. 255-269

CARTER, A. “Group Peer Disagreement” Ratio, v 27, n3, 2014, p. 11-28.

_____. “Group Knowledge and Epistemic Defeat” Ergo, an Open Access Journal of Philosophy, v 28, n2, 2015, p. 711-735.

CICHOSKI, L; RUIVO, J.L.A. “Agregação de Juízo na Epistemologia Social: a proposta de Christian List e Philip Pettit” In: CARVALHO, M. (et al). Pragmatismo, filosofia analítica e filosofia da mente. São Paulo: ANPOF, 2015. p. 273-302

ETCHEVERRY, K. “Algumas considerações sobre agência epistêmica coletiva” In: RUIVO, J. L. A. (Org.) Proceedings of the Brazilian Research Group on Epistemology 2017: Social Epistemology. Porto Alegre: Editora Fi, 2017. (NO PRELO)

GILBERT, M. “Modelling Collective Belief” Synthese 73 (1), 1987, p. 185-204

_____. On social facts. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1989

_____. “Introduction: Two Standpoints - the personal and the collective” In: Living Together: Rationality, Sociality, and Obligation. Lanham, MD: Rowman e Littlefield, 1996. P. 1-20.

_____. “Introduction” In: Joint Commitment: How We Make the Social World. New York: Oxford University Press, 2014a. P. 1- 19

_____. ‘Collective Epistemology’ In: Joint Commitment: How We Make the Social World. New York: Oxford University Press, 2014b. P. 163-180 (Trabalho original publicado em 2004)

_____ “Considerations on Joint Commitment: Responses to Various Comments” In: Joint Commitment: How We Make the Social World. New York: Oxford University Press, 2014c. P. 37-57 (Trabalho original publicado em 2002)

_____. “Belief and Acceptance as Features of Groups” In: Joint Commitment: How We Make the Social World. New York: Oxford University Press, 2014d. P. 131-162 (Trabalho original publicado em 2002)

GILBERT, M.; PILCHMAN, D. “Belief, Acceptance, and What Happens in Groups”. LACKEY, J. (ed) Essays in collective epistemology. Oxford: Oxford University Press, 2014e. P. 189-212.

GOLDMAN, A. “Social Process Reliabilism: Solving Justification Problems in Collective Epistemology.” In: LACKEY, J. (ed) Essays in collective epistemology. Oxford: Oxford University Press, 2014. P. 11–41.

GOLDMAN, A.; BLANCHARD, T. “Social Epistemology” ZALTA, E. (ed) The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2016. Disponível em: Acesso em: 7 de Fevereiro de 2017.

HAKLI, R. “Group beliefs and the distinction between belief and acceptance” Cognitive Systems Research, v 7, 2006, p. 286-297.

_____. "On the possibility of group knowledge without belief" Social Epistemology, v 21, n3, 2007, p. 249-266.

_____. “On dialectical justification of group beliefs” SCHMID, H.B.; SIRTES, D.; WEBER, M. (eds) Collective Epistemology. Frankfurt: Ontos Verlag, 2011. P. 119-153

KALLESTRUP, J. “Group virtue epistemology” Synthese, 2016, p. 1-19

LACKEY, J. “Socially Extended Knowledge” Philosophical Issues 24, (1), 2014, p. 282-298.

_____. “What is justified group belief?” Philosophical Review 125 (3), 2016, p. 341-396.

LATOUR, B.; WOOLGAR, S. Laboratory Life: The Construction of Social Facts. Princeton: Princeton University Press, 1986.

LIST, C; PETTIT, P. Group agency: the possibility, design, and status of corporate agents. Oxford: Oxford University Press, 2011.

LUZ, A. M. “Virtudes intelectuais sociais” In: MULLER, F. M.; LUZ, A. M. (Org.) . O que NÓS conhecemos? Ensaios em epistemologia individual e social. Porto Alegre: Editora Fi, 2015. P. 115-126

MATHIESEN, Kay. “Can Groups Be Epistemic Agents?” SCHMID, H.B.; SIRTES, D.; WEBER, M. (eds) Collective Epistemology. Frankfurt: Ontos Verlag, 2011. P. 23-44

MILLER, S. “Joint Action” Philosophical Papers 21 (3), 1992, p. 275-297

_____. “Intentions, ends and joint action” Philosophical Papers 24 (1), 1995, p. 51-66.

MOREIRA, D. “Agentes epistêmicos coletivos e o argumento da não divergência” In: RUIVO, J. L. A. (Org.) Proceedings of the Brazilian Research Group on Epistemology 2017: Social Epistemology. Porto Alegre: Editora Fi, 2017. (NO PRELO)

MÜLLER, F. M. “Conhecimento Coletivo em Perspectiva”. In: BAVARESCO, A.; VILLANOVA, M.; RODRIGUES, T. V. (Org.). Projetos de Filosofia II. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012a, v. 1, p. 68-91.

_____. “Conhecimento de Grupo”. In: MÜLLER, F. M. RODRIGUES, T.V.. (Org.). Epistemologia Social: Dimensão Social do Conhecimento..Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012b, v. 1, p. 118-136.

_____. 2015. “Virtudes epistêmicas coletivas” In: MULLER, F. M.; LUZ, A. M. (Org.). O que NÓS conhecemos? Ensaios em epistemologia individual e social. Porto Alegre: Editora Fi, 2015. P. 127-144

PETTIT, P. “Groups with Minds of Their Own.” In: SCHMITT, F. (Ed.). Socializing Metaphysics: The natures of social reality. Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, 2003, p.167-193

PIGOZZI, G. “Belief Merging and Judgment Aggregation". ZALTA, E. N. (ed) The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2015. Disponível em: . Acesso em: 25 de Abril de 2017.

RITCHIE, K. “The Metaphysics of Social Groups” Philosophy Compass 10 (5), 2015, p. 310-321.

ROVANE, C. “Group Agency and Individualism” Erkenntnis, v 79, n9, 2014, p. 1663-1684.

RUIVO, J.L.A. Crença de Grupo, 2017. 105 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Escola de Humanidades, PUCRS, Porto Alegre, 2017.

SCHMID, H. B.; SCHWEIKARD, D.P. "Collective Intentionality", ZALTA, E. N. (ed) The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2013. Disponível em:. Acesso em: 7 de Fevereiro de 2017.

SCHMITT, F. “The justification of group beliefs”. In: SCHMITT, F. (Ed.). Socializing epistemology: The social dimensions of knowledge. Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, 1994, p. 257-287

SEARLE, “Collective Intentions and Actions” In: COHEN, P.; MORGAN, J.; POLLACK, M.E. (eds) Intentions in Communication. Cambridge, Mass: Bradford Books, MIT Press, 1990. P. 401-416.

_____. The construction of social reality. New York: The Free Press, 1995.

_____. Making the Social World: The Structure of Human Civilization. New York: Oxford University Press, 2010.

TOLLEFSEN, D. “Challenging epistemic individualism” ProtoSociology 16, 2002a, p. 86-117.

_____. “Collective Intentionality and the Social Sciences” Philosophy of the Social Sciences 32: 25, 2002b, p. 25-50.

_____. Groups as Agents. Cambridge: Polity Press, 2015.

TOWNSEND, L. “Being and Becoming in the Theory of Group Agency” Abstracta, v 7 n1, 2013, p. 39-53.

TUOMELA, R.; MILLER, K. “We-Intentions” Philosophical Studies, v 53, 1988, p. 367–389

TUOMELA, R. The Philosophy of Sociality: The Shared Point of View. New York: Oxford University Press, 2007.

_____. Social Ontology: Collective Intentionality and Group Agents. New York: Oxford University Press, 2013.

VELLEMAN, D. “How To Share An Intention” Philosophy and Phenomenological Research, v 57, n1, 1997, p. 29-50.

WRAY, B. “Collective Belief and Acceptance” Synthese, v 129, n3, 2001, p. 319-333.

_____. “What really divides Gilbert and the rejectionists?” Protosociology, v 18, 2003, p. 363–376.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-6746.2017.3.28487



ATENÇÃO

Sistema em manutenção

Migração do sistema OJS para a versão 3.0. Durante este período os usuários:

  • Poderão acessar todo o conteúdo já publicado
  • Não poderão efetivar encaminhamentos do fluxo editorial (submissão, avaliação, publicação)

Previsão: 06/07/2020


ISSN-L: 0042-3955 | e-ISSN: 1984-6746


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada. Copyright: © 2006-2020 EDIPUCRS