Sentimentos despertados em pais de crianças transplantadas de fígado frente à re-internação hospitalar

Júlia Schneider Protas, Márcia Anton

Resumo


O transplante hepático infantil é o tratamento indicado para doenças hepáticas graves, progressivas, irreversíveis e não suscetíveis a outro tratamento. É um processo bastante complexo que envolve: diagnóstico, avaliação pré-transplante, espera por um órgão, cirurgia e acompanhamento médico por toda a vida. Intercorrências podem acontecer em qualquer fase do processo, sendo que a re-internação após o transplante pode ser necessária, devido à possibilidade de complicações pós-transplante, como rejeição do enxerto. O presente trabalho visou identificar os sentimentos despertados nos pais de crianças transplantadas de fígado que necessitaram re-internar após o transplante. Para isso, foram avaliados os atendimentos psicoterápicos realizados com os pais de crianças transplantadas que re-internaram, durante o período de um ano, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A partir da análise das entrevistas, pôde-se constatar que os pais tenderam a equiparar o êxito da cirurgia à cura da doença, procurando desconsiderar a possibilidade de complicações posteriores. Em função disso, situações de re-internação podem ser vividas como um fracasso, despertando sentimentos de raiva e culpa. Neste sentido, o acompanhamento psicológico para os pais torna-se indispensável, como espaço de acolhimento, compreensão e auxilio na busca da elaboração de conflitos.

Palavras-chave


re-internação hospitalar; psicoterapia de apoio; transplante de fígado infantil.

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e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


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