Negritude e infância: relações étnico-raciais em situação lúdica estruturada

Marcella Padilha Dantas da Silva, Angela Uchoa Branco

Resumo


As relações étnico-raciais no Brasil são permeadas pelo preconceito, que se torna visível nas desigualdades socioeconômicas, porém velado nas interações sociais. A partir do referencial sociocultural e da concepção dialógica do self, este trabalho objetiva investigar interações sociais entre meninas negras e brancas em contexto lúdico estruturado. O trabalho foi realizado com oito meninas de 09 a 11 anos, em uma escola pública de Brasília. Em sessões estruturadas, as interações de quatro meninas em dois grupos do quinto ano fundamental, duas “negras” e duas “brancas”, foram filmadas durante 30 minutos, utilizando brinquedos que poderiam evocar a questão racial. Três sessões foram realizadas para cada grupo, e um episódio de cada foi selecionado para análise microgenética. Os resultados apontam para a internalização precoce de padrões de beleza que desvalorizam traços fenotípicos da negritude, criando dificuldades para as meninas negras em sua constituição positiva de si.

Palavras-chave


negritude; identidade negra; crianças; desenvolvimento do self.

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e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


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