Sentidos sobre “trabalho escravo” que circulam entre profissionais empenhados em erradicar essa prática no Pará.

Ricardo Pimentel Méllo, Geise do Socorro Lima Gomes

Resumo


Determinadas práticas que ocorrem no interior de algumas fazendas da Amazônia têm sido denominadas de “trabalho escravo” e se configuram como crime, em função das péssimas condições de trabalho e da falta de liberdade de ir e vir dos empregados. Essas práticas são sustentadas pela alegação de que os empregados têm uma dívida em permanente crescimento e emergem como um acontecimento que envolve processos de jogos de poder entre os personagens que participam dessa trama. O objetivo desta pesquisa é dar visibilidade às diversificadas formações discursivas implicadas na noção “trabalho escravo” presentes em narrativas de profissionais que trabalham na “Campanha de Erradicação do Trabalho Escravo”. Destacamos como relevante que os discursos que circulam entre esses profissionais falam sobre práticas que precisam ser “enfrentadas” ou “combatidas” por conta das situações encontradas pelos trabalhadores rurais que por sua vez também são atravessados por discursos polissêmicos que incidem sobre serem vítimas ou não.   Assim, efeitos são produzidos por conta da variabilidade desses discursos que se engendram nas práticas desses profissionais, justificando a promoção de campanhas, criação de movimentos sociais, prédios, confecção de cartilhas, folders, cartazes, documentos legais nacionais e internacionais, que sustentam um conjunto de relações capazes de fazer emergir o “trabalho escravo” como um acontecimento.

Palavras-chave


trabalho escravo contemporâneo; trabalhadores rurais; escravidão por dívida; erradicação ao trabalho escravo; práticas discursivas

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e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


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