Autopoiese e sociedade: a posição estratégica do desejo na gestão de uma rede social

Fábio Dal Molin, Tânia Mara Galli Fonseca

Resumo


Este estudo busca apontar a importância do desejo na associação dos sujeitos implicados em uma rede social, vindo a concluir que esta não pode ser considerada um sistema autopoiético, ultrapassando, assim, as características encontradas em relação aos seres vivos. Uma rede social é um acontecimento de grande complexidade e nos leva a considerar o plano das singularidades em rede. Por sistema vivo entende-se aquele que, mantendo sua organização distinta por um observador (identidade sistêmica), realiza câmbios em sua estrutura (elementos constituintes) no processo de produção de si mesmo (autopoiese). Por serem abertos ao fluxo de matéria e energia, os sistemas autopoiéticos realizam seus câmbios estruturais a partir de interações com outros sistemas, ou acoplamentos estruturais. Foi escolhida como objeto de estudo a Rede Integrada de Serviços do Bairro Restinga, em Porto Alegre, através da observação de suas reuniões (diários de campo) e leituras de suas atas, bem como documentos e correspondências enviados pela e para a Rede como sistema. São analisados três momentos de sua autopoiese: constituição como espaço aberto e múltiplo, movimentos com fins organizativos (auto-regulação) e um acoplamento com outro sistema.
Palavras-chave: Autopoiese; rede social; sistema vivo; Restinga.

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e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


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