Pobreza, instituições e segurança: perspectivas de familiares de adolescentes assassinados no Ceará

João Paulo Pereira Barros, James Ferreira Moura Júnior, Damião Soares de Almeida Segundo, Rodrigo Bezerra Saraiva, Marcus Giovani Ribeiro Moreira

Resumo


Objetivou-se analisar as implicações da condição de pobreza sobre segurança e acesso a instituições nas percepções de familiares de adolescentes e jovens assassinados no Ceará. Participaram do estudo 263 famílias de adolescentes vítimas de homicídio com idades entre 11 e 19 anos (M = 16,6; DP = 1,34), negros (70,3%), do sexo masculino (97,7%) e com renda familiar de um a dois salários mínimos (64,1%). Foi realizado um levantamento, as questões referiram-se à segurança territorial, à relação institucional e à pobreza multidimensional. As análises desenvolvidas foram descritivas e comparativas (qui-quadrado e ANOVA). Os resultados apontam que as famílias em situação de pobreza mais intensa têm menos acesso as instituições, avaliam seus territórios como mais perigosos e sofrem mais violência. Observa-se a existência de uma gestão da morte vinculada a uma estrutura de Estado e de sociedade que criminaliza a pobreza.


Palavras-chave


homicídio, adolescentes, pobreza, instituições, segurança

Texto completo:

PDF

Referências


Accorssi, A., Scarparo, H., & Guareschi, P. (2012). A naturalização da pobreza: reflexões sobre a formação do pensamento social. Psicologia & Sociedade, 24(3). http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000300007

Alkire, S., & Foster, J. (2011). Counting and multidimensional poverty measurement. Journal of Public Economics, 95(7), 476-487. https://doi.org/10.1016/j.jpubeco.2010.11.006

Almeida, S. (2018). O que é racismo estrutural? Letramento: Rio de Janeiro.

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (2018). Cada Vida Importa - Relatório do segundo semestre de 2017 do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Fortaleza, 2018.

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (2017). Cada Vida Importa - Relatório final do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Fortaleza, 2017.

Baratta, A. (2003). Princípios do direito penal mínimo. Para uma Teoria dos Direitos Humanos como Objeto e Limite da Lei Penal. Florianópolis: Mimeo.

Barros, J. P. P., & Benicio, L. F. D. S. (2017). " Eles nascem para morrer": uma análise psicossocial da problemática dos homicídios de jovens em Fortaleza. Rev. psicol.(Fortaleza, Online), 8(2), 34-43.

Barros, J. P. P., Paiva, L. F. S., Rodrigues, J. S., Silva, D. B. & Leonardo, C. S. (2018). “Pacificação” nas periferias: discursos sobre as violências e o cotidiano de juventudes em Fortaleza. Revista de Psicologia, 9(1), 117-128.

Bezerra, L. M. P. S., & Carvalho, A. M. P. (2015). Medo e insegurança nas margens urbanas: uma interpretação do “viver acuado” em territórios estigmatizados do Grande Bom Jardim. O público e o privado, 1(26).

Butler, J. (2015). Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Cerqueira, D. R. C., Ferreira, H., Lima, R. S. D., Bueno, S., Hanashiro, O., Batista, F., & Nicolato, P. (2017). Nota técnica - Atlas da Violência 2017. Brasília: FBSP/Ipea.

Cerqueira, D. R. C., Ferreira, H., Lima, R. S. D., Bueno, S., Hanashiro, O., Batista, F., & Nicolato, P. (2018). Nota técnica - Atlas da Violência 2018. Brasília: FBSP/Ipea.

Coimbra, C. M. B. (2001). Operação Rio: o mito das classes perigosas - um estudo sobre a violência urbana, a mídia impressa e os discursos de segurança pública. Rio de Janeiro: Oficina do Autor.

Felix, S. A. (2009). Crime, medo e percepções de insegurança. Perspectivas: Revista de Ciências Sociais, 36.

Freitas, C. R., & Guareschi, P. A. (2014). A Assistência Social no Brasil e os usuários: possibilidades e contradições. Diálogo, (25), 145-160.

Henning, C. E. (2015). Interseccionalidade e pensamento feminista: as contribuições históricas e os debates contemporâneos acerca do entrelaçamento de marcadores sociais da diferença. Mediações-Revista de Ciências Sociais, 20(2), 97-128. http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2015v20n2p97

Machado, E.P.; & Noronha, C.V. (2002) A polícia dos pobres: violência policial em classes populares urbanas. Sociologias, Porto Alegre, (7), pp.188-221. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-45222002000100009

Mbembe, A. (2017). Políticas da Inimizade. Lisboa: Antígona.

Mbembe, A. (2016). Necropolítica. Arte & Ensaios, PPGAV, EBA, UFRJ, (32).

Melo, D. L. B., & Cano, I. (2017). Índice de homicídios na adolescência: IHA 2014. Rio de Janeiro: Observatório de Favelas.

Moura Jr, J. F., & Ximenes, V. M. (2016). A identidade social estigmatizada de pobre: uma constituição opressora. Fractal: Revista de Psicologia, 28(1), 76-83. http://dx.doi.org/10.1590/1984-0292/1051

Pasquali, L. (2003). Psicometria: teoria dos testes na psicologia e na educação. Petrópolis: Vozes.

Rego, W. D. L., & Pinzani, A. (2013). Liberdade, dinheiro e autonomia. O caso da Bolsa Família. Revista De Ciências Sociais-Política & Trabalho, 1(38).

Sales, M. A. (2007). (In)visibilidade perversa: Adolescentes infratores como metáfora da violência. São Paulo: Cortez.

Scisleski, A.; Caetano, C. L. C.; Galeano, G. B. (2015). Pensando as (im)políticas para juventudes e os (in)direitos (des)humanos. In: A. Scisleski & N. Guareschi (Orgs.). Juventude, marginalidade social e direitos humanos: da Psicologia às políticas públicas. Porto Alegre: ediPUCRS.

Sen, A. (2000). Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras.

Silva, L. A. M. (2014). Violência e ordem social. In: Lima, R. S.; Ratton, J. L.; Azevedo, R. G. Crime, polícia e justiça no Brasil. São Paulo: Editora Contexto.

Wacquant, L. (2003) Punir os pobres. A nova gestão da miséria nos Estados Unidos, v. 2.

Wacquant, L. (2012). As prisões da miséria. 10 ed. Rio de Janeiro: Zahar.

Zaccone, O. (2015). Indignos de vida: a forma jurídica da política de extermínio de inimigos na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Revan.




DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2020.1.32896

e-ISSN: 1980-8623 | ISSN-L: 0103-5371


Exceto onde especificado diferentemente, aplicam-se à matéria publicada neste periódico os termos de uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, que permite o uso irrestrito, a distribuição e a reprodução em qualquer meio desde que a publicação original seja corretamente citada.